<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907</id><updated>2011-12-15T00:45:11.588-02:00</updated><title type='text'>OPINIÃO</title><subtitle type='html'>Política, Cultura, Livros, Filmes, Documentários, Direito, além daquelas idéias absurdas que aparecem do nada e que a gente tem que escrever em algum lugar.....

Lattes do autor: http://lattes.cnpq.br/1744912628656412 


POR FAVOR COMENTEM!!!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-2014183887044327954</id><published>2011-12-14T16:50:00.002-02:00</published><updated>2011-12-14T16:50:39.487-02:00</updated><title type='text'>Primeiro como tragédia, depois como farsa.</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Logo após a mídia nacional noticiar a fundação do PSD, o idealizador da legenda, Gilberto Kassab, em entrevista na Rede Bandeirantes, afirmou ser plataforma do novo partido a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte desvinculada do Poder Legislativo. Houve, inevitavelmente, certo espanto por parte da comunidade jurídica. Por sua vez, semanas atrás, a Senadora Katia Abreu (PSD-TO), fez publicar na mídia artigo no qual defendia a proposta de Kassab. O que ora apresentamos é uma crítica fundamentada às intenções do PSD.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O artigo da Senadora se inicia com uma crítica à Constituição vigente, chamada de “excessivamente detalhista”. A extensão do texto constitucional é apontada como uma falha. A minúcia e a amplitude são consideradas as causas do “envelhecimento precoce” da Constituição Federal de 1988. Além disso, o artigo alega que nosso país apenas tornar-se-á uma verdadeira potência se “flexibilizar” a Carta Magna, deixando o modelo de Constituição dirigente (que delineia metas governamentais que devem ser atingidas progressivamente) &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;"&gt;e adotando uma estrutura mais “enxuta” e liberal. Por fim, afirma em tom ameaçador: “Por que esperar por uma ruptura ou um desastre para fazer o que é preciso? Por que não fazer isso em tempos de paz?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Ainda que sob ameaça de “ruptura institucional”, é preciso apresentar aqui algumas considerações. Em primeiro lugar, nossa Constituição Federal já traz em si regras para sua alteração. Com exceção do núcleo duro (as chamadas clausulas pétreas), ela pode ser modificada, desde que se atinja o quorum e a maioria necessária. O próprio fato de nossa Constituição ter sido emendada 67 vezes é uma prova de que o sistema não é imutável. Além disso, é preciso que se compreenda que é justamente a necessidade de uma maioria qualificada para sua alteração que faz com que uma Constituição seja...uma Constituição. Basta isso para perceber que t&lt;span style="color: #090909;"&gt;oda e qualquer proposta de modificação oblíqua poderia ser compreendida como “golpe branco”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Outro ponto de nossa atual estrutura duramente criticado pela Senadora é o fato de o STF, até o presente momento, ter dado provimento a 757 Ações Diretas de Inconstitucionalidade (aquelas Ações que declaram que uma determinada lei é inconstitucional), fato que seria &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;um sinal da baixa operacionalidade do sistema, decorrente da já mencionada extensão da Constituição. Com o devido respeito, contudo, não estaria aí, muito mais, um sinal da incapacidade dos legisladores? Será que os legisladores ao menos conhecem o texto constitucional? Ora, a inconstitucionalidade das leis não é culpa da Constituição, assim como o Código Civil não é o culpado por contratos que contenham cláusulas ilegais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Sabemos da necessidade de uma reforma política, tributária e previdenciária no Brasil. Não obstante, os caminhos para tais reformas não podem partir da exigência de uma nova Constituinte, a qual colocaria em risco as grandes conquistas da sociedade brasileira nos últimos 23 anos. Não se pode querer sempre tomar atalhos, evitando assim cumprir os pactos. E a Constituição nada mais é do que um pacto, um contrato dos vários setores da sociedade entre si. E como se sabe, “o que é combinado, não é caro”. A Constituição atual não autoriza o Congresso Nacional a transferir o poder de reforma a qualquer outra entidade. Além disso, juridicamente, uma nova Constituinte não está prevista na atual Constituição, o que faz com que a proposta seja, desde o início, inconstitucional. Igualmente inconstitucional seria a aprovação de uma PEC – Proposta de Emenda Constitucional que autorizasse o Congresso a delegar um poder que não detém.&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Uma Assembléia Constituinte deve surgir por pressão das forças e movimentos de massa contra a ordem jurídica vigente. Outra forma (evidentemente ilegítima) é a dos Golpes de Estado, ostensivos e evidentes ou não. Constituição é, antes de tudo, fruto de uma repactuação, um “&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;We, the People&lt;/i&gt;...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;É preciso muito cuidado quando parcelas da sociedade assumem o discurso do terror e das ameaças. Isso costuma antecipar movimentos violentos. Assim se deu legitimidade para o Estado Novo, na primeira metade do século XX. Repetiu-se a jogada em março/abril de 1964, no período mais trágico da história recente. Sem a energia popular, assim &lt;span style="color: #090909;"&gt;como ocorreu no Brasil no início dos anos 80&lt;/span&gt;, qualquer tentativa de se instaurar uma Assembléia Constituinte será ilegítima e farsesca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-2014183887044327954?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/2014183887044327954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=2014183887044327954' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/2014183887044327954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/2014183887044327954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2011/12/primeiro-como-tragedia-depois-como.html' title='Primeiro como tragédia, depois como farsa.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-5302025771581380464</id><published>2011-09-26T14:36:00.000-03:00</published><updated>2011-09-26T14:36:04.599-03:00</updated><title type='text'>O pré-sal, a União e a força centrífuga…</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Conforme tradição consolidada, todo mês de janeiro o Presidente dos Estados Unidos realiza um pronunciamento diante das duas casas do Congresso americano – representantes e senadores – reunidas em sessão conjunta. Sua fala versa sobre o que os americanos convencionaram chamar de “estado da União”. Trata-se de um ato de deferência do Poder Executivo ao Legislativo, inequivocamente seu “chefe” nos países democráticos. Porém, mais do que isso, o discurso sobre o estado da União americana deixa bem claro a todos que a federação é uma “união voluntária de Estados” que já foram independentes (as chamadas 13 colônias que se tornaram 13 países e se uniram em um só por questões de segurança, como fazer frente ao Império Britânico da época). Essa reunião de estados cria outro ente, distinto das partes, ao qual se convencionou chamar de União. Logo, a reunião dos estados existentes anteriormente deve ser benéfica para todos, para que se mantenha o interesse – do todo e das partes – em permanecerem no mesmo barco. E é a conjuntura disso que o presidente informa ao Congresso todo começo de ano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Pode-se dizer que os Estados Unidos foram a primeira nação inventada. Calcados em ideais iluministas, os pais fundadores norte-americanos elaboraram um conceito de nação que pretendia ter bases racionais e ser desprovido de famílias com poderes dinásticos. Isso fazia com que, ao negar a autoridade hereditária e a tradição como fundamento jurídico do poder político, eles se abrissem ao futuro, assumindo a responsabilidade da produção democrática do Direito e a legitimidade de sua unidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Ao olharmos hoje para a Europa o que se vê é um continente frustrado por não ter conseguido se livrar do peso do seu passado, afinal foi justamente o fardo da história – e das tradições de rivalidades seculares entre vizinhos – que impediu anos atrás um aprofundamento da União Européia: tentaram ser como os americanos, mas a força centrífuga da tradição não deixou. E a União de verdade ficou só no plano monetário. Os países europeus acreditaram que a manutenção de suas independências seria mais benéfica do que uma eventual união. E de certa forma é isso o que se percebe quando o governo alemão faz cara feia ao ter que sustentar o peso da inconsistência fiscal e o baixo desenvolvimento econômico de países como Portugal e Grécia: “não pagarei pelo seu despreparo”, o que implica dizer, “não tenho responsabilidade pelos seus atos e seu destino”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Por aqui no Brasil, ao que tudo indica, vamos bem, obrigado. Somos um país forte e coeso. Falamos a mesma língua (o que não quer dizer nada, uma vez que a Europa tem quinze línguas e já tem moeda única, e nossos vizinhos sul-americanos falam espanhol e não se bicam muito, como Peru e Chile) e não temos grupos que reivindiquem soberania dentro do território nacional. Contudo, recentemente o tema da distribuição dos royalties do petróleo do pré-sal vem pondo na ordem do dia a discussão: qual o sacrifício que estamos dispostos a fazer para ficarmos todos juntinhos, sob a mesma bandeira e nos tornarmos cada vez mais unidos. Afinal, ainda que não pareça, somos uma Federação. Esquisita e centralizadora, mas, ainda assim, uma Federação. E somos um país continental que – segundo demonstra a história – apenas se manteve unido graças a Napoleão Bonaparte (que fez os reis portugueses saírem correndo da Europa em direção ao Rio), e por José Bonifácio de Andrada e Silva, que convenceu D. Pedro I a proclamar a independência e deixar o Brasil amarrado a um governo central forte, impedindo assim a fragmentação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Todos os interesses e peculiaridades regionais se mostram de forma nua e crua quando se discute quem se beneficiará com os lucros da exploração do petróleo (a tal força centrífuga...). A atual divisão dos royalties não considera os estados e municípios não produtores. Contudo, com a efetiva exploração do pré-sal, e os lucros exorbitantes previstos, as vantagens econômicas desses entes da federação poderiam criar desigualdades substanciais de riqueza e qualidade de vida entre os estados e as regiões de nosso país, o que já é, por si só, um elemento desagregador em total desacordo com os objetivos da República, apontados no artigo 3º, III, da Constituição Federal. Como se vê, o tema do equilíbrio da União – ou seja, o estado da nossa União – é pouco explorado e discutido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-theme-font: minor-bidi; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Que tal se a grande imprensa ensinasse a população a discutir o futuro do país?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-5302025771581380464?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/5302025771581380464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=5302025771581380464' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/5302025771581380464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/5302025771581380464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2011/09/o-pre-sal-uniao-e-forca-centrifuga.html' title='O pré-sal, a União e a força centrífuga…'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-7548407227605346327</id><published>2011-09-08T11:38:00.000-03:00</published><updated>2011-09-08T11:38:38.850-03:00</updated><title type='text'>Tempos imprevisíveis.</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O homem é um animal ordenador: atribui significado àquilo que encontra em seu caminho. Cria explicações científicas e religiosas do mundo ao seu redor, fazendo com que a realidade que o circunda seja parte de uma ‘explicação’ do todo. Tal afirmação, já indiretamente apontada pelo filósofo inglês David Hume no século XVI, embora bastante genérica, serve para analisarmos essa capacidade magnífica do homem: observar os eventos históricos e deles extrair as possíveis relações de causa e efeito que lapidaram a longa aventura até aqui experimentada pela humanidade. Mas de qualquer forma, não se pode dizer que esse traço do ser humano sempre possa ser exercitado com sucesso. Isso porque relações de causa e efeito são facilmente perceptíveis apenas nas ciências duras, como a física newtoniana. Já os estudiosos das ciências humanas e sociais dificilmente conseguem valer-se de um experimento comprobatório de suas teorias, o que faz com que elas permaneçam como hipóteses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Quando na manhã de 11 de setembro de 2001 a humanidade percebeu que estava diante de algo até então inconcebível, todos ficamos paralisados. E isso justamente porque não conseguíamos compreender as conexões que haviam sido determinantes para tamanha atrocidade. E muito menos podíamos prever – por total falta de repertório – o que ocorreria daquele momento em diante: o caos se havia instalado no mundo e nada mais seria facilmente compreendido. As ilusórias relações de causa e efeito tinha ido para o bebeléu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Com a proximidade do aniversário de 10 anos dos ataques à cidade de Nova Iorque a tendência natural é a de que façamos uma retrospectiva, não do atentado em si, mas dos seus efeitos, para o mundo e para os Estados Unidos, nos mais variados aspectos das relações humanas, sociais e políticas. Somente buscando compreender o mosaico de crises e tensões verificáveis no mundo contemporâneo é que poderemos inferir quais parcelas de nosso conturbado mundo atual podem ser atribuídas, direta ou indiretamente, aos homens que pilotaram aqueles aviões. Muitas vezes ignoramos, contudo, que um dos mais atrativos temas para a mídia global nos dias de hoje pode ter relação direta com a Al Qaeda: a economia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Explico-me. Quando os especialistas em economia (dentre os quais pode-se citar Joseph Stiglitz, George Soros, entre outros, relatados pelo jornalista espanhol Antonio Navalón) olham em retrospectiva os acontecimentos imediatos após o 11 de setembro, muitos traçam uma conexão um tanto quanto inusitada, que envolve o grau de incerteza que pairou sobre Wall Street naquela semana. Entre 11 e 15 de setembro de 2001, a Bolsa de Valores de Nova Iorque permaneceu fechada por motivos óbvios: ninguém sabia se a estrutura do edifício, situado a poucas quadras das torres, agüentaria tão devastador impacto. Ocorre que tampouco se sabia como o próprio mercado financeiro reagiria – economicamente - àquela amostra grátis do Apocalipse. A solução proposta pelo Banco Central então foi a de baixar de maneira drástica a taxa de juros nos Estados Unidos. Com tal medida se pretendia, por um lado, mandar um sinal de esperança ao mercado e ao povo e, por outro, favorecer o investimento. Com essa atitude, provavelmente pela primeira vez na história dos Estados Unidos, o custo do dinheiro, uma vez descontada a inflação, tinha um valor negativo. E aí começou a festa... Era melhor gastar dinheiro do que poupá-lo, acumulá-lo. Mas a gastança, que devia ter sido uma medida temporária de estímulo, acabou virando algo permanente. E tais taxas de juros induziram a tentação de emprestar dinheiro àqueles que no sistema de juros pré-11/09 jamais receberiam crédito em virtude de seu baixo poder aquisitivo e histórico de inadimplência. E assim a engrenagem foi se elaborando com manobras para uma aparente diluição do risco de tais empréstimos, criando a receita da bolha que estourou em 2008. Trata-se, como se percebe, de uma explicação inusitada e até simplória que ignora a história da prévia desregulamentação dos mercados, mas, ainda assim, é uma análise curiosa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;É possível suspeitar que os terroristas imaginassem que os ataques teriam efeitos psicológicos na população americana e até na geopolítica internacional. É, contudo, muito improvável – senão realmente impossível – que os mentores dos atentados supusessem que suas conseqüências chegariam ao mercado financeiro e creditício internacional. Isso, em vez de refutar, acaba comprovando que a teoria do caos pode ser aplicada aos nossos tempos: nunca podemos medir, com total eficiência, a amplitude de conseqüências que terão nossas ações ou omissões. E junto com todas as certezas, evapora-se nossa pretensa ilusão matemática de causa e conseqüência. Sinal dos tempos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-7548407227605346327?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/7548407227605346327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=7548407227605346327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/7548407227605346327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/7548407227605346327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2011/09/tempos-imprevisiveis.html' title='Tempos imprevisíveis.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-6207824152599944580</id><published>2011-07-31T20:24:00.000-03:00</published><updated>2011-07-31T20:24:33.788-03:00</updated><title type='text'>Mais lições de uma ilha gelada</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Arial; font-size: x-small;"&gt;Em meados de outubro do ano  passado, quando nos aproximávamos do primeiro turno das eleições, comentei neste  mesmo espaço o fato de a população da capital da Islândia, Reykjavík, ter  elegido um palhaço para o cargo de prefeito. Tal notícia, naquele momento, era  bastante curiosa, afinal apontava um paralelo ao fato de nosso atual deputado  Tiririca estar então na liderança das pesquisas. Tiririca foi eleito, e a vida  do país seguiu, bem ou mal, como tinha de ser. Ocorre que mesmo antes do pleito  eleitoral brasileiro do ano passado, a população islandesa já havia sido  notícia, e justamente por não ser muito ortodoxa em suas visões políticas.  Explico: para quem não sabe, a Islândia foi o primeiro país a ter sua economia  arruinada pela crise financeira de 2008 (a quem se interessar, recomendo o ótimo  documentário “Trabalho interno”, vencedor do Oscar de 2011). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando  chegou a hora de injetar dinheiro público nos bancos para manter a liquidez do  sistema financeiro, o povo islandês chamou para si tal responsabilidade,  exigindo para tanto um plebiscito. Resultado: o “não” ganhou. Os bancos  quebraram e a população assumiu a decisão segundo a qual não seria admitido que  bancos - que lucram de forma privada - socializassem seus prejuízos quando a  corda lhes fosse lançada ao pescoço. Tais bancos islandeses foram obrigados a  dar um calote e o dominó financeiro mundial começou a tombar, vindo dar como  marolinha nestas paragens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada foi divulgada a última  notícia da ilha das consoantes. A inusitada democracia islandesa está agora  utilizando o Facebook para consultar seus cidadãos e recolher opiniões e  sugestões para a nova Constituição do país, que está sendo escrita e que irá  substituir a atualmente em vigor, redigida em 1944. Convocada após a quebra do  país em 2008, a Assembléia Constituinte pretende dotar o país de uma Carta  Política que efetivamente reflita o pensamento da população, e para tanto faz  uso da internet, sempre exigindo que quem opine se identifique e argumente em  defesa de seu ponto de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se pode perceber, o exemplo islandês  nos traz lições. Em primeiro lugar mostra que a idéia de democracia que hoje é  exaltada no ocidente pode ser muito mais aprofundada: a ilusão de que somente  apertar os botõezinhos da urna eletrônica de dois em dois anos pode mudar algo é  doce. Esse sistema de democracia meramente representativa apenas troca os atores  de uma peça teatral que já tem seu roteiro estabelecido, e cujos diretores  obviamente não se apresentam às eleições. Num segundo plano, deixa claro que a  internet, contrariamente ao que dizem muitos esquerdistas de plantão, não  precisa ser necessariamente uma ferramenta de dominação e alienação das pessoas,  especialmente dos jovens (muito embora possa sê-lo em uma sociedade incauta e  ignorante). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rede pode sim ser usada em benefício da discussão saudável  e responsável. Mas ainda, e principalmente, a Islândia nos mostra, uma vez mais,  todo o potencial de uma sociedade em que 99% da população é alfabetizada, e que  se consolida como a menos desigual do mundo. Apesar dos pesares econômicos, mais  de 2/3 da população da Islândia vai poder participar da redação da nova  Constituição, já que esse é o percentual de pessoas com acesso 24 horas à  internet. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acima de tudo, uma população que deixa claro que, sem abrir  mão do capitalismo e da meritocracia, é possível radicalizar a experiência  democrática, colocando a economia no seu devido lugar. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-6207824152599944580?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/6207824152599944580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=6207824152599944580' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6207824152599944580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6207824152599944580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2011/07/mais-licoes-de-uma-ilha-gelada.html' title='Mais lições de uma ilha gelada'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-6412919363633886045</id><published>2011-07-20T13:33:00.002-03:00</published><updated>2011-07-20T13:33:41.785-03:00</updated><title type='text'>6.999.999.999</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia 31 de outubro de 2011 – segundo a maioria das previsões demográficas - nascerá um bebê, em algum lugar do mundo, que será o sétimo bilionésimo ser humano vivo no planeta. Não sabemos seu nome, nem mesmo o país em que nascerá, mas há 70% de probabilidade dessa criança vir ao mundo em um país pobre, e com baixos índices sociais e expectativa de vida. A chegada de nosso colega de número sete bilhões, contudo, em si não diz muito, sendo na verdade apenas um marco simbólico: não pensamos todos os dias de manhã que naquele mesmíssimo dia 218 mil pessoas a mais dormirão em suas casas (ocas, barracos, pontes e sarjetas) em todo o planeta (taxa de crescimento diário). O incremento quantitativo da população não é facilmente percebido pela humanidade, sendo constatável muito mais pela confusão na plataforma do metrô do que pelo aumento do preço do trigo. Nossos sistemas de organização (jurídico, político) não assimilam muito facilmente as conseqüências do aumento da população, muito embora as conseqüências sociais existam e tenham impacto relevante, ainda mais em países ou áreas pobres e com baixo desenvolvimento social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há, entretanto, um problema: falar sobre os problemas do crescimento vertiginoso da população mundial nos últimos tempos (de três bilhões em 1950 para sete bilhões em 2011) parece muitas vezes mais feio do que bater na própria mãe. É como se tocar nesse tema pudesse acordar certos monstros: legalização do aborto, controle da natalidade e até critérios econômicos para a reprodução responsável (algo como uma eugenia dos ricos). De fato, algumas coisas podem parecer terríveis, como condicionar o direito à reprodução ao preenchimento de certos critérios econômicos objetivos. Mas, em contrapartida, não podemos esquecer que considerar o matrimônio como condição para a procriação (como faz a Igreja de Roma) é algo muito semelhante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito foram os homens que, ao longo dos séculos, manifestaram-se sobre os riscos da superpopulação. O mais famoso deles foi Malthus, um economista e pastor britânico que afirmava que a população sempre aumenta mais rápido do que a produção de alimentos, o que gera inevitavelmente fome em larga escala (pra não dizer uma considerável inflação no preço das commodities). Mas a subpopulação também já foi um problema econômico-filosófico: basta lembrarmos o fato de a “família” ter sido durante milênios a organização humana produtora de gêneros por excelência, tendo se tornado nos últimos quatro séculos cada vez mais um núcleo humano de consumo. Essa mudança radical no papel da família, além de modificar o ethos (espécie de síntese de costumes e valores de um determinado povo), também pode ser vista como uma das responsáveis pela gradual aceitação de casais homoafetivos como núcleos familiares, independentemente da capacidade reprodutiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para exteriorizar minha opinião sobre o tema, valho-me da arte, pois acredito que não se possa ter uma opinião definitiva sobre o tema justamente pelo fato de a interpretação das conseqüências da expansão populacional não serem óbvias e dependerem do contexto histórico e tecnológico. Visitei no dia 05 de julho a exposição “6 bilhões de outros”no MASP (www.6milliardsdautres.org/index.php). O trabalho era composto por cerca de cinco mil entrevistas realizadas em 76 países diferentes, nas quais pessoas comuns respondiam a questões fundamentais para a humanidade como “qual sua primeira lembrança?”, “você se sente livre?” e “você tem alguma mensagem para os outros 6 bilhões de humanos?”. E podia-se ver ali uma infinidade de respostas, das mais singelas às mais profundamente elaboradas. Mas em todos os casos – do pescador brasileiro ao agricultor afegão, passando pelo executivo de Wall Street – os homens e mulheres que ali estavam eram únicos e maravilhosos. Isso mostrou para mim que, ao contrário das outras coisas, o ser humano não segue o caminho de uma moeda desvalorizada pela inflação: nós não perdemos nosso valor intrínseco pelo simples fato de haver muitos de nós. Essa constatação – a da divina singularidade do homem – acaba me impedindo de assumir posições radiais. Desta vez, eu fico em cima do muro, muito embora, racionalmente, sete bilhões seja um número absurdo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-6412919363633886045?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/6412919363633886045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=6412919363633886045' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6412919363633886045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6412919363633886045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2011/07/6999999999.html' title='6.999.999.999'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-5306095032792102189</id><published>2011-04-08T13:31:00.006-03:00</published><updated>2011-04-08T13:57:13.336-03:00</updated><title type='text'>A RACIONALIZAÇÃO DO IMPONDERÁVEL E O HUMANO ABOMINÁVEL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É bem provável que os corpos das crianças ainda estivessem quentes quando os primeiros especialistas em tragédias inimagináveis chegaram às redações das emissoras de TV. Vinham de todas as áreas e traziam argumentos científicos. De empecilho, apenas o fato de se contradizerem. Enquanto o Brasil via estarrecido o desespero das famílias na porta da escola, técnicos em segurança já indicavam a instalação de detectores de metal nos colégios e universidades de todo país. Ao mesmo tempo pedagogos e psicólogos apontavam o dedo para o bullying, explicando a origem do mal que viera à tona no início daquela manhã. Especialistas da fé buscavam isentar a explicação religiosa do mundo de qualquer culpa ao mesmo tempo em que psiquiatras traçavam o perfil psicótico do homem que não parecia humano. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a sensação de impotência não arredava o pé. Homens da igreja viram o incompreensível realizado em nome da crença, enquanto os defensores da pena de morte apenas se calavam: a morte foi, segundo o sentimento de muitos, pouco para o assassino que deveria – este sim – ter sido mantido vivo para sofrer uma vingança eterna dos parentes, amigos e do país inteiro. Duro paradoxo este em que se percebe que uma vida de sofrimento eterno – até com águias lhe comendo o fígado “para todo o sempre” - seria punição pequena. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Percebeu-se então o abandono: abandono da razão, que não conseguia absorver e explicar o que ocorrera. Abandono de Deus, que, como se houvesse trocado de lado, era usado de argumento de purificação do mundo pelo louco-esquizofrênico-religioso. Abandono de nossos próprios poderes, uma vez que nem a maior de todas as penas poderia compensar ou vingar o ocorrido. Abandono até da humanidade, que se mostrara capaz de tamanha repugnância em relação à própria condição humana. A tragédia se fez assim: incompreensível, ininteligível, inaceitável, imperdoável, configurando como poucas vezes na história do país abençoado por Deus e bonito por natureza, o abominável enquanto elemento possível do bicho homem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resignação, em situações assim, se mostra a única e dolorosa saída. Uma postura altiva de luto como forma de expiação e compreensão de nosso próprio abandono, aqui, nesse planetinha. Afinal, pudemos notar que nossa ciência não preverá nem explicará a insanidade. Que nossa ilusão de segurança não nos protege de nós mesmos. Que nossos deuses, às vezes, nos viram as costas. Que nossas vinganças podem ser insuficientes. E que, principalmente, nossa mente pode ser a mais estarrecedora de todas as coisas no mundo. Vimos que o homem pode ser bicho e monstro, mesmo que desejemos dele a santidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mais completa definição de tragédia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-5306095032792102189?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/5306095032792102189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=5306095032792102189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/5306095032792102189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/5306095032792102189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2011/04/racionalizacao-do-imponderavel-e-o.html' title='A RACIONALIZAÇÃO DO IMPONDERÁVEL E O HUMANO ABOMINÁVEL'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-6190920259037457901</id><published>2011-02-28T13:29:00.002-03:00</published><updated>2011-02-28T13:30:03.391-03:00</updated><title type='text'>O acrobata e a rede.</title><content type='html'>Muitos dos leitores destas linhas já devem ter certa vez sentido, num deslocamento simples ou em uma longa viagem, longe de seu lugar habitual, um sentimento bastante particular, ao mesmo tempo intrigante e fugaz, de total deslocamento e liberdade. Uma sensação de grata solidão, com a possibilidade ser mestre de si mesmo por algumas horas ou dias. Sem prestar contas à ninguém, sem telefone celular – irônica e deliberadamente desligado em nossos bolsos. Situação na qual o ar parece mais leve, assim como a alma. Tudo é possível, uma multiplicidade de caminhos se abrem à sua frente, dando azo à própria infinidade de desejos. Encontros, descobertas, insights, enquanto a paisagem parece assumir uma nova intensidade, jamais percebida. Pode-se assim perceber que a liberdade não é tão somente uma palavra vã, mas uma verdadeira sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Um viajante solitário torna-se um diabo”. É o que diz um provérbio muçulmano, que (1876-1972) utilizou como título de um romance que tem como tema a condição do homem ao viajar. Nesses viajantes é possível encontrar uma chama espiritual bastante curiosa que procura a independência de modo bastante rápido e até frágil: se a condição de errante se prolonga, o viajante que desvenda cidades como estrangeiro, que fica à superfície da agitação social, logo se cansará de si mesmo, prisioneiro de sua condição inútil. Sua inteligência que olha em seu redor não tardará a submergir, punindo a si mesmo por seu ócio estéril. Daí, a depressão e a crise não estarão longe. Em casos assim, não há outra solução que satisfazer-se até o fim...até o tédio. A fronteira entre a solidão fecunda e o isolamento melancólico é muito, mas muito tênue: para ser capaz de atravessar tais provações infernais, o viajante diabólico deve estar dotado de uma robusta constituição, de um sólido equilíbrio afetivo. Segundo o supracitado Montherlant, “Cada virtude cardeal de um homem é para ele um motivo de solidão. A inteligência isola. A independência isola. A franqueza isola. A coragem isola. A sabedoria isola.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Como sair desse círculo, que transmuta a liberdade em desgraça? Para tanto é preciso que o homem seja capaz de ser, ao mesmo tempo, sem família e em família. Para empregar uma imagem, a família representa aqui o papel que a rede tem para o acrobata: se a amarração estiver muito frouxa, o risco em caso de queda é o de vazá-la e de se esborrachar no solo. É, portanto, indispensável poder contar com uma rede de segurança deveras resistente para que se possa lançar no vazio com coração leve, realizando manobras e saltos mortais perigosos. Na ausência de tal segurança, somente os candidatos ao suicídio abraçarão a profissão de acrobatas e os viajantes solitários acabarão seus dias como psicopatas. Reside aí a estranha lei psicológica: para atuar no mundo como um solitário destemido, o homem precisa estabelecer e manter laços muito fortes com aqueles que ama, sentindo permanentemente suas presenças a seu lado. Noutras palavras, é preciso ter uma família, biológica ou inventada. Paradoxalmente, parece ser essa a condição de possibilidade da liberdade vivenciável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-6190920259037457901?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/6190920259037457901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=6190920259037457901' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6190920259037457901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6190920259037457901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2011/02/o-acrobata-e-rede.html' title='O acrobata e a rede.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-7146360812380579865</id><published>2011-02-09T17:10:00.002-02:00</published><updated>2011-02-09T17:11:41.784-02:00</updated><title type='text'>O bem, o mal e o cisne.</title><content type='html'>As palavras que serão, a partir de agora, aqui lançadas, muito possivelmente parecerão desconexas, sem um rumo claro, e muito menos serão dotadas de um posicionamento definitivo. A própria idéia de uma “tomada de posição” vai contra a essência do que será aqui colocado. Saliento, contudo, que este aviso inicial não pretende servir como uma inoculação prévia, uma vacina contra os rancores dos desavisados, mas tão somente fornecer um auxílio mínimo, para que o texto não pareça um exercício de verborragia de um bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Assisti, na noite de domingo, à “O cisne negro”, de Darren Aronofsky, e saí do cinema com falta de ar, com o coração acelerado e com uma descarga elétrica percorrendo todo meu corpo. Era algo semelhante à sensação que se tem quando se acorda pela manhã estando apaixonado. Eu podia sentir meu corpo pulsando. O “Cisne negro” é Nietzsche puro! E Freud! Trata-se de um filme que deveria ser analisado por Joseph Campbell e não pelos críticos (profissionais e amadores – como eu) de plantão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não vou dar dicas sobre o filme. Não sou fã de spoilers. Quem quiser que o veja e depois leia novamente estas palavras. Vou apenas dizer que Aronofsky conseguiu levar para a tela do cinema uma quantidade de informação filosófica escamoteada em som e música como eu nunca havia - até onde me lembro – visto. A concepção da dualidade entre o cisne branco e o cisne negro sustenta toda a estrutura do filme e coloca para o espectador a questão primordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em sua obra “Para além do bem e do mal”, Nietzsche coloca em causa a ideia da valoração hierárquica dos instintos humanos. Algo semelhante ocorre em “A genealogia da moral”, obra em que o filósofo alemão questiona a formação dessa mesma hierarquia entre “bem” e “mal”. Em “O Cisne negro”, a personagem principal Nina passa todo tempo alucinada e à beira de um surto de traços esquizóides justamente pelo fato de ter de assumir o seu lado animal, instintivo, sexual. Ou seja, ela quase surta ao ter que deixar de se ver como um anjo e aceitar-se um bicho, humano, capaz de carregar em si a ampla gama da vida. Ela precisa perder o medo. E, de se ressaltar, para Nietzsche, “o medo é o pai da moral”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não pretendo teorizar aqui sobre a formação de valores morais. Quero apenar deixar claro que tudo aquilo que durante milênios manteve a vida humana caminhando sobre o planeta – ou seja, nossa condição animal – foi associado às ditas “forças negativas”. A visão contemporânea de mundo aponta que o que vier da cabeça ou do coração de um indivíduo será associado ao “bem”. O que brotar dos recônditos espaços de seus instintos e de suas entranhas será associado ao “mal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O filme de Aronofsky vem nos salvar dessa visão. Ele leva para a tela a metamorfose de uma criança em um ser humano completo: animal E transcendente. Ele também mostra quão porosas são as fronteiras entre o bem e o mal. Ele redime as forças ocultas do corpo humano. Em suma, Aronofsky assume o papel de um xamã, ou seja, aquele que nas sociedades primitivas era o responsável pela dominação e (re)equilíbrio dos instintos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao sair do filme, me lembrei de um trecho de uma música de Lulu Santos que diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Enquanto isso, não nos custa insistir&lt;br /&gt;na questão do desejo não deixar se extinguir&lt;br /&gt;desafiando de vez a noção&lt;br /&gt;na qual se crê que o inferno é aqui&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Enfim: acho que vai demorar para eu ver algo tão completo como “O cisne negro”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-7146360812380579865?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/7146360812380579865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=7146360812380579865' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/7146360812380579865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/7146360812380579865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2011/02/o-bem-o-mal-e-o-cisne.html' title='O bem, o mal e o cisne.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-2582716513639863412</id><published>2011-01-28T10:37:00.001-02:00</published><updated>2011-01-28T10:38:36.243-02:00</updated><title type='text'>Reações em cadeia no “mundo árabe”.</title><content type='html'>O desespero de Mohammed Bouazizi parece ter mudado o destino do norte da África e de parte do mundo árabe. Foi ele quem, depois de ter sido impedido por policiais de vender verduras para se sustentar, ateou fogo em si mesmo na tarde do dia 17 de dezembro de 2010, vindo a falecer em decorrência dos ferimentos no dia 4 de janeiro de 2011. Seu ato, recebido pela maioria da população como um martírio em nome do povo tunisiano, deu início aos protestos em massa que levaram à fuga do Presidente Ben Ali do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o impulso dado pela imolação de Bouazizi não ficou restrito ao território tunisiano. Como um tsunami que se propaga com velocidade e força, os protestos se espalharam pelo norte da África e pelo Oriente Médio. Ao menos outros dois homens se imolaram com fogo no Marrocos. No Egito, milhares de pessoas foram às ruas exigir a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder desde 1981. No Iêmen, uma multidão protestou nas ruas contra uma nova tentativa de reeleição do Presidente Ali Abdullah Saleh, que ocupa o cargo desde 1990. Mesmo em países com pouca ou quase nenhuma expressão política internacional, como a Mauritânia, ocorreram manifestações de caráter aparentemente pró-democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É extremamente difícil traçar uma linha homogênea ligando todas as revoltas. Cada país citado anteriormente tem suas peculiaridades políticas e sociais. A pretensão de colocar todo mundo árabe num mesmo balaio é sinal da ignorância do ocidente sobre a região. Muitos confundem até mesmo a condição de árabe com a condição de muçulmano, esquecendo que nem todo árabe é muçulmano e nem todo muçulmano é árabe (como os iranianos, que são persas, mas, em sua maioria, professam a religião islâmica). As fantasias das Mil e uma noites, e os quadros do pintor francês Jean-Léon Gérôme criaram uma visão irreal do mundo árabe que deturpou a visão dos ocidentais. Ainda assim, é inevitável que se observe o fenômeno social de janeiro de 2011 no norte da África como algo entrelaçado, interconectado (arranjado e combinado via Facebook e Twitter), e cujas conseqüências ninguém pode até agora precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que um primeiro elemento das revoltas em andamento tem natureza política: a democracia em muitos destes países é uma verdadeira farsa, com eleições fraudadas e cujo reconhecimento pela comunidade internacional somente se dá em decorrência de interesses econômicos de gigantes como os Estados Unidos e membros da zona do Euro. Para as antigas metrópoles coloniais africanas – a França em especial – os ditadores sempre foram uma ferramenta de contenção social, além de garantidores de um “colonialismo financeiro” disfarçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elemento econômico também pode ser apontado como uma das causas das turbulências. Até mesmo o secretário geral da Liga Árabe, Amr Moussa, afirmou que “as massas árabes estão frustradas e zangadas em toda parte”, o que indica uma aparente homogeneidade pan-arábica nos motivos das manifestações, com nuances de fundo sócio-econômico. Afinal, nem só de fé vive o homem, seja ele religioso ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta agora saber qual será o papel da fé islâmica no seguir dos fatos. Os analistas internacionais ainda não conseguiram entrar num consenso no que diz respeito ao caráter laico ou não do movimento. Em outras palavras, não se sabe se o que está a ocorrer se inclina mais para “maio de 68” ou para “Revolução iraniana”. E, bem lá no fundo, alguém acredita que as potências ocidentais vão esperar o desenrolar dos fatos e pagar pra ver, só por amor à “democracia” e à livre determinação dos povos da África setentrional?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-2582716513639863412?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/2582716513639863412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=2582716513639863412' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/2582716513639863412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/2582716513639863412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2011/01/reacoes-em-cadeia-no-mundo-arabe.html' title='Reações em cadeia no “mundo árabe”.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-8613416319808411635</id><published>2011-01-03T11:19:00.002-02:00</published><updated>2011-01-03T11:20:48.654-02:00</updated><title type='text'>ENTREATOS</title><content type='html'>Dentro de algumas horas, Luís Inácio Lula da Silva deixará, ao menos formalmente, o Palácio da Alvorada e a Presidência da República. Após oito anos de mandato, inúmeras viagens internacionais, vários pontos percentuais a mais no PIB e uma taxa de aprovação, até onde sei, jamais vista numa democracia do ocidente, Lula voltará para São Bernardo do Campo para viver – espera-se – como um cidadão comum. Mas os feitos, positivos e negativos, de seu mandato continuarão pairando no ar de Brasília por longo tempo e dificilmente serão ignorados por qualquer pessoa que pretenda analisar o Brasil do início de século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O conjunto de características impressionantes (repito: positivas e negativas) do país nos últimos oito anos acabam por fazer com que nossas atenções continuem voltadas sobre a própria figura de Lula, mesmo sabendo que depois de amanhã ele será um ex-presidente. Ainda assim, seu magnetismo carismático faz com que se continue analisando seu governo e suas atitudes. Por tais motivos é que venho indicar a todos que, assim como eu, permanecem curiosos em relação ao que mudou (ou não) no Brasil nesse período, um documentário gravado em 2002, produzido e dirigido por João Moreira Salles, às vésperas da eleição de Luis Inácio Lula da Silva. Trata-se de “Entreatos: Lula a 30 dias do poder”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O documentário, aparentemente despretensioso, não passa de uma colagem de inúmeras cenas dos bastidores, da intimidade de Lula e de seus companheiros, como Palocci, José Dirceu e Gilberto Carvalho durante a reta final da campanha presidencial de 2002. Com a câmera na mão, o diretor seguiu Lula e sua equipe, registrando o que ocorria atrás das câmeras de TV, programas e debates eleitorais. O filme, entretanto, se torna um documento histórico fundamental ao fazer notar alguns traços da personalidade – defeitos e virtudes - de Lula, percebidos pela opinião pública ao longo do mandato e que de certa forma explicam o modo com que ele governou o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Lá é possível notar que Lula permanece, o tempo todo no comando de sua equipe. Seu olhar atento é por vezes ameaçador. Contudo, com a mesma facilidade, a postura de ameaça se torna doce e afável, em uma contínua tentativa de seduzir os interlocutores. Aliás, a tentativa de seduzir todos que o cercam parece ser o maior trunfo e o grande cacoete de Lula, o que denota sua vaidade exacerbada. Outro traço interessante perceptível no filme é visão que Lula tem de si mesmo. Vangloria-se inúmeras vezes de sua falta de estudo formal, a ponto de ser aconselhado por Ricardo Kotcho a não tocar mais no assunto durante a campanha. Além disso, Lula vê sua (então possível) eleição como o resultado da tomada de consciência por parte das classes trabalhadoras do Brasil, das quais ele se julga um porta-voz algo messiânico. Notável é ainda a capacidade de improvisação de Lula nas mais variadas situações, bem como sua muitas vezes apontada – por ele mesmo – verborragia. Mas talvez o elemento mais revelador do filme seja a aversão de Lula aos rituais e formalidades institucionais, principalmente os da liturgia do cargo. Em certa passagem ele mesmo menciona seu incômodo com os ritos militares, inerentes à Presidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A somatória dos traços mais notáveis de Lula – o ímpeto sedutor, a retórica fácil e o mal-estar diante dos ritualismos e formalidades – talvez explique inúmeros percalços desses oito anos. Mas, muito mais do que isso, mostra como partes do Brasil e parcelas de sua população pouco mudaram em sua mentalidade personalista desde que Sergio Buarque de Holanda indicou em seu “Raízes do Brasil” a figura do “homem cordial” brasileiro, avesso aos rituais, sempre tentando criar uma “ética de fundo emotivo”, em que aos amigos se dá tudo e aos inimigos nada. É a autoridade carismática levada ao extremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   E mesmo sabendo de tudo isso, quando Lula fala, todos escutam, e a maioria obedece, geralmente com um sorriso no rosto. Não é por outra razão que o maior legado de Lula para o Brasil será a inquebrantável ausência de carisma de Dilma Rousseff. Vai ser bom pro povo brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-8613416319808411635?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/8613416319808411635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=8613416319808411635' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/8613416319808411635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/8613416319808411635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2011/01/entreatos.html' title='ENTREATOS'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-1394735311179026575</id><published>2010-09-30T13:45:00.002-03:00</published><updated>2010-09-30T13:47:17.396-03:00</updated><title type='text'>Eu prefiro o Bozo!</title><content type='html'>Um comediante, descontente com a rentabilidade mensal de sua atividade, resolve candidatar-se a um cargo político eletivo, usando como bandeira principal de sua campanha a sátira ao próprio cargo que busca ocupar e a todos os políticos. É, automaticamente, aprovado por grande parcela do eleitorado que busca utilizar o voto como ferramenta de protesto. O sucesso da empreitada, até certa altura da corrida eleitoral, era evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A breve história acima pode parecer uma crônica sucinta do fenômeno que neste exato momento toma conta do Brasil e que, ao que tudo indica, vai eleger um palhaço (!!) ao Congresso Nacional. Mas não é. Essa é a história de Jón Gnarr, personagem teatral cômico do ator Islandês Jón Gunnar Kristinsson de 43 anos, que fora, pasmem, em 29 de maio de 2010, eleito prefeito da capital da Islândia, Reykjavík, com 34,7% dos votos. Gnarr venceu as eleições sem absolutamente nenhuma plataforma política previamente estabelecida e até mesmo sem contar com um partido político: ele fundou o seu próprio, o qual denominou comicamente de “Melhor Partido”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dentre as promessas políticas de Jón Gnarr estava a de conseguir emprego para toda sua família, além de arrumar um trabalho que fosse bem remunerado e que exigisse pouco trabalho. E a população islandesa, num movimento inesperado de rebeldia, comprou a idéia, elegendo o personagem – isso mesmo - para o cargo: o ator alterou o registro civil de seu nome, ficando definitivamente registrado com o nome do personagem. Em outras palavras, como se Chico Anísio tivesse se candidatado e o eleito fosse o Professor Raimundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A primeira reação de todos nós brasileiros ao tomarmos conhecimento dessa história verdadeira e bizarra é: “quer dizer então não somos nós os únicos que ridicularizamos a política em geral e a representação em particular?” Pois é. O mundo todo vive uma onda de descontentamento com a democracia representativa, melhor entendida como aquela em que nós, o povo, somos representados por um fulano que nunca vimos pessoalmente na vida e que não faz a menor idéia dos meus problemas. Quando muito conhece alguns dados estatísticos. Os votos de protesto ao redor do mundo são uma demonstração disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas o fenômeno brasileiro tem suas particularidades perigosas, as quais ficam evidentes numa comparação com seu alter ego islandês. Afinal, o palhaço de lá tem uma ampla formação artística. E a Islândia tem 99,1% de sua população alfabetizada, além de estar em 1º lugar no Ranking Mundial de desenvolvimento da ONU, conhecido como IDH. Em outras palavras, se o palhaço de lá resolver fazer palhaçada no cargo, vai não vai ser por incompetência. Ele vai poder ler todos os documentos que tiver que assinar. Ele poderá, portanto, ser moralmente (e até criminalmente) responsabilizado pela atitude desesperada do povo. No Brasil, depois de tudo, o palhaço vai rir. E nós, cedo ou tarde, vamos chorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-1394735311179026575?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/1394735311179026575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=1394735311179026575' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/1394735311179026575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/1394735311179026575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2010/09/eu-prefiro-o-bozo.html' title='Eu prefiro o Bozo!'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-8831542795664126515</id><published>2010-09-21T23:26:00.001-03:00</published><updated>2010-09-21T23:30:09.886-03:00</updated><title type='text'>A intimidade e a palmada.</title><content type='html'>Como todos já devem saber, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei bastante polêmico, de autoria da Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS), que pretende – segundo o site da própria deputada - “abolir a prática de castigos corporais contra meninos e meninas”, sejam eles praticados sob quaisquer circunstâncias e escusas. Como já alardeado pela mídia, caso aprovada, a Lei poderia ser utilizada como base jurídica para impedir que os pais façam uso das “palmadinhas” como instrumento na orientação de seus rebentos. Muito embora me pareça bastante vaga a efetividade social dessa possível Lei, entendo que antes de mergulharmos em discussões de fundo psicológico e moral é preciso que analisemos o panorama histórico contemporâneo que faz com que inúmeras Leis tenham hoje essa capacidade de elevar os ânimos, justamente por romper as fronteiras da intimidade das famílias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em primeiro lugar, devemos considerar o seguinte. A mentalidade liberal, típica de fins do século XIX e início do XX, entendia que o Estado deveria manter-se distante da vida cotidiana dos homens, de modo a evitar possíveis abusos do poder estabelecido (atentados contra a liberdade e propriedade dos cidadãos). Contudo, o próprio desenvolvimento das sociedades terminou por exigir (justamente para evitar o caos) que o Estado agisse, posicionando-se cada vez mais como ente regulador das relações sociais, econômicas e trabalhistas. Mas foi principalmente o ganho de força e legitimidade na esfera internacional das Declarações de Direitos Humanos que deu o empurrão final para que o Direito pudesse decidir acerca do que ocorria do lado de dentro dos lares dos cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De fato, em tempos passados, a cultura e a moral em voga exigiam que o Estado se mantivesse longe dos interesses particulares, ao mesmo tempo em que alardeava que o homem, o pai, era o detentor da capacidade decisória da família, com poderes (quase) absolutos dentro das dependências de seu pequeno reino, de seu feudo residencial. Subjugados à ele estavam a esposa e a prole. Todos lhe deviam respeito e fidelidade. E, nessa relação, infinitas barbaridades ocorriam (e, é sabido, ainda ocorrem), sempre à distância dos olhos do Estado e com a bênção de uma moral duvidosa. Contudo, a constatação de que esse terreno era bastante fértil para a ocorrência de iniqüidades que fez com que, paulatinamente, os Estados ocidentais fossem afastando a presunção de que “a casa é um asilo inviolável da família”, e de que a intimidade – por mais nefasta que às vezes fosse – estivesse sempre alheia à tutela estatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No plano jurídico, dentre os recentes impulsos no sentido de uma horizontalização do poder na família, pode-se citar a Constituição Federal de 1988, que afirma expressamente serem “os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal (...) exercidos igualmente pelo homem e pela mulher”. No mesmo sentido o atual Código Civil aponta a existência de um “poder familiar”, exercido pelo pai e pela mãe, e não mais um “pátrio poder”, unicamente atributo do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas foi definitivamente com a lei Maria da Penha, a qual busca coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, que a sociedade admitiu que a intimidade pode ser desconsiderada no caso de valores maiores e mais nobres (como é a própria dignidade dos indivíduos, sejam homem, mulheres ou crianças) serem colocados a perigo, e que o que ocorre dentro das residências também é de interesse do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pois é nesse desenrolar histórico que deve ser inserido e compreendido o projeto da “Lei da palmada”. Afinal, ele é apenas mais uma peça num gradual movimento de irradiação das conseqüências dos direitos humanos para esferas cada vez mais específicas e particulares das relações humanas. E não se trata, como quer fazer parecer parte da mídia, de um projeto “de esquerda” ou “totalitário”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-8831542795664126515?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/8831542795664126515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=8831542795664126515' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/8831542795664126515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/8831542795664126515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2010/09/intimidade-e-palmada.html' title='A intimidade e a palmada.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-5844597322373042221</id><published>2010-08-11T12:06:00.001-03:00</published><updated>2010-08-11T12:08:21.445-03:00</updated><title type='text'>A Coragem do Congresso Argentino</title><content type='html'>Na quarta-feira, 14 de julho de 2010, o Senado argentino aprovou por maioria simples uma lei que reinterpreta um artigo do Código Civil daquele país, possibilitando expressamente o matrimônio (casamento, união civil) entre pessoas do mesmo sexo. Com isso, a Argentina passa a ser o primeiro pais da América Latina a possibilitar expressamente tal união.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma das maravilhas da internet é a que nos permite assistir em tempo real aos canais de TV de outros países. Assim, ao saber que os senadores argentinos estavam debatendo o tema, sintonizei um canal portenho chamado Telenotícias. E tive inúmeras surpresas. Em primeiro lugar, pude, uma vez mais, perceber que os argentinos carregam uma noção de civismo que ainda está anos luz à nossa frente. Digo isso porque, ao mesmo tempo, em dois lugares distintos de Buenos Aires, duas marchas, uma favorável e outra contra a lei, eram realizadas. Milhares de pessoas em cada uma pressionavam, cada qual a sua maneira, os representantes no Congresso. E debatiam, com argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas o que mais me impressionou foram mesmo os próprios debates, realizados por vários canais, nos jornais impressos, na internet e nos veículos de comunicação dos próprios grupos políticos e religiosos. Um verdadeiro show de democracia que há muito tempo não se vê pelas bandas na América do sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas, mais do que isso, gostaria de indicar os argumentos em si dos grupos favoráveis e contrários à referida lei. Não todos, é evidente, pois senão este seria um texto interminável. Vou apontar apenas aqueles que me pareceram mais interessantes, do ponto de vista sociológico e político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em primeiro lugar, parte dos senadores (a maioria deles do partido União Cívica Radical) lutou até o último momento por alterar a redação da lei proposta, retirando dela o termo “matrimônio”, e substituindo-o por “união familiar”. Diziam que o termo “matrimônio” tinha concepções e nuances religiosas que poderiam alvoroçar (e realmente alvoroçaram) a sociedade. Afirmavam que o termo união familiar era mais correto do ponto de vista sociológico. Imediatamente representantes das entidades de defesa dos direitos dos grupos homossexuais afirmaram que tal alteração de redação acarretaria na criação de famílias de primeira e de segunda classe, induzindo uma espécie de apartheid familiar. Como se vê, os dois argumentos são válidos, o que demonstra o tamanho do qüiproquó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Noutro aspecto, afirmavam os religiosos contrários à aprovação da nova lei que a criação de um matrimônio entre pessoas do mesmo sexo (a lei prevê inclusive direto de adoção sem restrições) atentaria contra os direitos das crianças de serem criados por “um pai e uma mãe”. Afirmavam que o direito das crianças era inviolável, e que, dentre esses direitos se encontra um direito à criação por um modelo específico de família, qual seja, o de um pai e de uma mãe. Em contrapartida, os militantes favoráveis à lei apontavam para o fato de que a própria existência na Argentina (e em todo ocidente) de leis reguladoras do divórcio, já modificara, tempos atrás, o “formato padrão” das famílias, sendo considerável que hoje em dia muitas crianças sejam criadas pelos pais e por padrastos e madrastas, muitas vezes em duas casas separadas, o que não destruiu a “instituição família”, que ainda perdura, muito embora modificada. Nesse sentido, não se poderia falar em um modelo atemporal estabelecido de família, vez que esta pode se modificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Outro ponto interessante do argumento a favor da lei era a própria determinação constitucional para que não sejam criadas distinções entre cidadãos, como se houvesses homens e mulheres de primeira e de segunda classe. Desnecessário dizer que o episódio nazista foi, como sempre, invocado para carregar as cores do debate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Como fica claro, o fato de que a Argentina – país de imensa maioria católica fervorosa - tenha conseguido se mobilizar a ponto de enfrentar esta questão já é uma aula de como as sociedades contemporâneas podem e devem se desenvolver e adaptar. Não obstante, é preciso que se considere que a questão não morreu. Pois não se trata de uma simples questão acerca dos direitos da felicidade e dignidade de todos os homens e mulheres sobre a terra, mas uma discussão muito mais profunda acerca da possibilidade de mutação das instituições humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E fica aqui um exercício de futurologia. Se a família se modificou a ponto de não mais se ater ao padrão de “um homem e uma mulher”, por que haveria a necessidade de uma família ser formada apenas por dois indivíduos? Eu sei que pode parecer um absurdo agora, mas as questões mais cruciais da humanidade (igualdade para os negros e índios, voto feminino, aborto) também já foram assim consideradas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-5844597322373042221?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/5844597322373042221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=5844597322373042221' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/5844597322373042221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/5844597322373042221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2010/08/coragem-do-congresso-argentino.html' title='A Coragem do Congresso Argentino'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-1905897906742132384</id><published>2009-08-14T03:28:00.003-03:00</published><updated>2009-08-14T03:31:45.658-03:00</updated><title type='text'>Humanitas est...</title><content type='html'>&lt;p&gt;O que faz com que alguns seres humanos insistam em viver, enquanto outros se contentam em existir? Por mais tendenciosa que a questão seja, não se pode deixá-la em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Inevitável voltar às questões surgidas no ultimo post. Se tenho alguns argumentos em meu acanhado repertório até aqui angariado, sinto que é momento de dividi-los. E no começo (vez que o começo é sempre imprescindível, ainda que tendencioso) faço uso de Aldous Huxley. Lembrei-me do dialogo em que John, o selvagem, interpela (ou é interpelado) pelo chefe, Mustafá Mond. Nesta passagem, o selvagem, após ouvir as inúmeras qualidades e vantagens do mundo criado pelos e para os alphas, afirma: “eu quero sofrer!!!”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pergunto: Haveria, ou ao menos persistiria, a condição humana se estivéssemos desprovidos do sofrimento. Se estivéssemos totalmente protegidos, controlados e tutelados por uma superestrutura (cacoetes marxistas!) que nos impedisse de desobedecer e, conseqüentemente, de sofrer e de existir. Haveria o homem, o Don Quixote, o Bardo Shakespeariano, a Verônica de Paulo Coelho, ou o Santo Cristo de Renato Russo? Brecht, Becket, Tenesse Willians, Freud e Hanna Arendt?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se me é facultado dividir uma impressão, é a de que duas coisas definem o humano: a dor e a incompletude. A dor é a conseqüência inevitável de nossa finitude, de nossa não-onisciência e da relação do homem com o imponderável. E é essa mescla com o imponderável que nos faz humanos. Portanto, a tentativa do controle não nos retira a angústia. Apenas gera a opressão. Jamais satisfação, desejo humano irmão da fome.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A confusão deste escrito não é intencional, não sendo todavia algo que me considero capaz de evitar. É fruto da mesma angústia (desejada e deliciosamente sorvida) de minha condição humana. E para completar a confusão, lanço mão de Chico Buarque.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Como beberDessa bebida amarga&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tragar a dorEngolir a labuta&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo calada a bocaResta o peito&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Silêncio na cidadeNão se escuta&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De que me valeSer filho da santa&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Melhor seriaSer filho da outra&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outra realidadeMenos morta&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tanta mentiraTanta força bruta...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como é difícilAcordar calado&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se na calada da noiteEu me dano&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero lançarUm grito desumano&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que é uma maneiraDe ser escutado&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse silêncio todo Me atordoa&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Atordoado Eu permaneço atento&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na arquibancada Prá a qualquer momento&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ver emergir O monstro da lagoa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De muito gorda A porca já não anda&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De muito usada A faca já não corta&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como é difícil Pai, abrir a porta&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa palavra Presa na garganta&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse pileque Homérico no mundo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De que adianta Ter boa vontade&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo calado o peito Resta a cuca&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dos bêbados Do centro da cidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o mundo Não seja pequeno&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nem seja a vida Um fato consumado&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero inventar O meu próprio pecado&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero morrer Do meu próprio veneno&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero perder de vez Tua cabeça&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha cabeça Perder teu juízo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero cheirar fumaça De óleo diesel&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Me embriagar Até que alguém me esqueça”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta, talvez, nossa síntese tupiniquim. E com méritos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-1905897906742132384?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/1905897906742132384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=1905897906742132384' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/1905897906742132384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/1905897906742132384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2009/08/humanitas-est.html' title='Humanitas est...'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-7237736722067145189</id><published>2009-07-14T15:17:00.002-03:00</published><updated>2009-07-14T15:21:14.750-03:00</updated><title type='text'>Dona Maria</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O fato ora narrado aconteceu em junho de 2003, num princípio de inverno úmido e frio, na cidade de Buenos Aires. Residia eu como estudante, com visto de estudante, espírito de estudante e um algo mais que todos carregamos todo tempo, não importa a classificação dos burocratas da imigração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos os dia, após um almoço cuja máxima variação era o grau de charco da milanesa e o ímpeto da pimenta do reino do purê de ‘papas’, tomava a linha verde do metrô, que liga o norte da cidade ao chamado ‘microcentro’. O ponto de destino chamava – e ainda se chama – Faculdad de Medicina, próximo à confluência das ruas Paraguay e Junin, local das aulas diárias. Estas, de aproximadamente três horas ininterruptas eram prazerosas, mais pelo afã dos professores – jovens e cheio de vontade de exibir sua cultura – do que pelo conteúdo. Afinal, todos sabemos que o grande professor de idiomas sempre foi e será a rua, a noite, a vontade de se comunicar e a condição de estrangeiro, ávido de compreensão daquilo que lhe cerque.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A tarde após as classes seguia como não poderia deixar de ser, com vagares intermináveis pelas ruas, cafés e sob a arquitetura de uma cidade que, por algum motivo mais antropológico que social, sempre quis ser a representante da belle epóque na América do sul, não tendo podido sê-lo por muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao fim do dia, já com os pés cansado de caminhar, os olhos embotados de tanta diferença de nossos trópicos tupis, e a língua calejada de pronunciar “erres” aspirados, tomava eu o rumo de volta. Devido ao horário – sempre posterior ao término das atividades do transporte coletivo – o retorno era uma longa e benfazeja caminhada até a Plaza Itália, no bairro de Palermo, onde ficava o albergue onde passava as noites.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi num destes percursos noturnos que eu a conheci. O primeiro contato foi nada mais que um pedido de esmola:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Uma monedita por favor!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A primeira reação – a mais convencional possível – não passou de um menear de cabeça, indicando a negação a todo pedido possível naquela situação. Todavia, o espírito santo que creio tutelar as mentes de alguns andantes mundo afora soprou em meu ouvido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao atingir o fim do quarteirão, por algum motivo externo, qualquer coisa que não estava em mim, voltei o olhar e vi, sentada na calçada de uma agencia fechada e imundado Citibank, ela, quem soube posteriormente chamar-se dona Maria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltei o corpo e até ela caminhei. Minha primeira pergunta, no idioma local e talvez após segundos de hesitação foi:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que alguém como a senhora faz aqui, uma hora dessas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resposta fora um misto de indignação – não sei se pela pergunta ou se pela consciência de sua própria condição:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Estou aqui por culpa do neoliberalismo, e do presidente que vendeu este país, desrespeitou os velhos e pôs tudo a perder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não lembro exatamente o desenrolar imediato do ocorrido. O que sei é que após alguns instantes eu estava sentado ao seu lado, ouvindo um depoimento sincero de uma vítima da bancarrota do país mais próspero da América do Sul até meados do século XX.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se me é permitida qualquer análise do que ouvi nos instantes seguintes, posso dizer que foi um relato lúcido, fundamentado e extremamente culto de alguém que viveu, por décadas, do sistema de previdência que a Argentina sustentou por anos e anos. Os detalhes da história são, inevitavelmente, detalhes. O que lhes posso afirmar de forma direta é que, nunca, neste período até aqui despendido por mim neste planetinha azul, havia tido a oportunidade de ver e ouvir uma história tão triste, seja por suas nuances políticas, seja pela incongruência em si, haja vista o fato de a mencionada dama falar cinco idiomas, ouvidos e reconhecidos por mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como acho que não poderia deixar de ser, desde de então, no período de dois meses em que fiquei na cidade de Buenos Aires, diariamente eu ali sentava, ao seu lado, e ouvia histórias, de viagens pelo mundo – cujas fotos comprobatória pude ver – e de tragédias pessoais. Ao fim e ao cabo afirmo que foi ali, naquela calçada, que descobri que a tragédia, no sentido de percalços que atingem, e destroem – ao mesmo tempo que enriquecem – a alma humana, podem acontecer com qualquer um de nós.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fui-me de Buenos Aires no início de agosto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em julho de 2005 pude, uma vez mais, visitar a cidade. Em outras condições financeiras, lá estive com meu pai e um primo querido. Numa madrugada de quinta-feira, após algumas garrafas de vinho, tomamos um taxi. Sorrateiramente pedi ao motorista que tomasse o rumo pela Avenida Santa Fé. E lá, em frente à agência do Citibank, encontrei novamente Dona Maria, e a ela apresentei meu pai e meu primo, aos quais havia, muito antes, contado essa história.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu mai faleceu em 4 de abril de 2009. E independente de toda vida possível que a morte leva, sei que pude mostrar a ele um pedaço de mim e do mundo que talvez ele não conhecesse. Pude perceber, uma vez mais, e ao lado de minha família que a vida é realmente a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. E sei que tanto Dona Maria quanto eu pudemos ser testemunhas das vidas um do outro, ainda que por um curto pedaço de tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-7237736722067145189?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/7237736722067145189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=7237736722067145189' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/7237736722067145189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/7237736722067145189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2009/07/dona-maria.html' title='Dona Maria'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-6198237097591054</id><published>2009-07-08T02:35:00.002-03:00</published><updated>2009-07-08T02:38:41.546-03:00</updated><title type='text'>Nossos outros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;  O “branco”, o vazio criativo, é uma sensação desconfortável para todos que pretendem escrever, falar, fazer discursos, compor músicas... Em suma, todos que desejam ver e ouvir o ecoar das próprias idéias. Escrever é um exercício de vaidade e não um ato de bondade para com a humanidade como pretendem alguns candidatos a profetas. Para que possamos escrever precisamos de doses elevadas de autoconfiança e vaidade, mesmo que tudo esteja bem escondidinho sob uma aura de determinação contra a continuidade de um mundo iletrado. Minha descrença em bem e mal absolutos me impede de ver nesse exercício de prazer (e até de luxúria, talvez) que é a vaidade literária algo de negativo. O único perigo é que todo aquele que gosta do som da própria voz corre o risco de se tornar um grande chato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;  Terapia em voz (ou caixa) alta à parte, tive hoje um desses momentos de total falta de interesse por mim mesmo. E como o universo continua girando mesmo quando nos achamos grandessíssimos idiotas, minha busca por um mote para estas linhas acabou por levar-me ao grande oráculo da afasia: a videolocadora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;  O filme selecionado (ao qual acabo de assistir) fui um chute na nuca, com bota de biqueira de aço. Não por ser desinteressante, mas por ser denso, pesado, daqueles que afundam em uma piscina de parafusos. “O leitor”, com Kate Winslet e Ralph Fiennes, pareceu-me um dos filmes com os diálogos mais bem elaborados que tive a oportunidade de ver. Podem acreditar em mim quando digo que não gosto de ficar indicando filmes, mas este vale a pena. Não pretendo falar do filme. Vou apenas mencionar uma sensação, uma dúvida, que pipocou em minha alma nos 123 minutos bem empregados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;  Para não prejudicar eventuais telespectadores da obra, digo apenas que no filme acaba emergindo a questão da culpa e do tempo. Ou melhor, da culpa humana no tempo. Em outras palavras: até que ponto pode-se punir alguém por atos cometidos à muito tempo. Veja-se que esta questão (que em linguagem técnica jurídica tem o nome correlativo de “prescrição”) está intimamente ligada à questão do “ser” no “tempo”, trabalhada por Heidegger.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  Evidentemente, não pretendo discorrer sobre filosofia alemã do entreguerras e nem sou capacitado para tanto. Meu objetivo se resume a expor essa angústia da construção do ‘humano’ no tempo que lhe é dado e suas inevitáveis conseqüências. Até que ponto somos os mesmos e quanto podemos mudar? Até onde vai a essência do homem e quanto a vida nos molda? Como vêem, não se trata de afirmações, mas de dúvidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;  Para aqueles que eventualmente comigo dividirem essa angústia, parte metafísica, parte heideggeriana, indico um breve conto, escrito pelo gênio Jorge Luis Borges. O título do conto é “O outro” e está editado em português em “O livro de areia”, última coletânea de textos publicada por Borges antes de sua morte. Qualquer explicação sobre o conto fica por conta do próprio autor, não cabendo a mim quaisquer reduções ou explicações. Aos interessados, segue abaixo um link para uma página em que se encontra o conto por inteiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Abraços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://luizfelipecoelho.multiply.com/journal/item/400/O_outro_Jorge_Luis_Borges&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-6198237097591054?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/6198237097591054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=6198237097591054' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6198237097591054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6198237097591054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2009/07/nossos-outros.html' title='Nossos outros'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-3257026789048085240</id><published>2009-07-06T12:40:00.001-03:00</published><updated>2009-07-06T12:42:39.326-03:00</updated><title type='text'>O ritual...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gripe pesada. Dor de cabeça. Coriza e mal estar... Receita para a rabugice e para um texto com 0% de inspiração literária. Minha veia analítica fez-se mais presente e auxiliadora na elaboração destas idéias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O ponto que inspira estas elucubrações frias é uma conversa que tive esses dias com uma amiga, em meio à amendoins e uma cervejinha. Conversávamos amenidades quando alguém comentou (não sei se eu ou ela) que algumas lojas voltaram a vender discos de vinil 0km. Por óbvio, as gravadoras também estavam apostando nessa retomada do chiadinho e da agulha em caixinhas sobre a estante empoeirada com lançamentos e relançamentos. Novos e clássicos. Tudo de volta (nunca me esquecerei de ir passear na Rua Batista de Carvalho e voltar para casa carregando apaixonado meu disco Xuxa nº2, enquanto minha mãe admirava sua aquisição da trilha sonora de “Passagem para a Índia”).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Inobstante a imensa nostalgia, a questão que veio a tona foi a seguinte: porque? Porque as gravadoras voltavam, nesse momento, à investir no lançamento de discos de vinil (caríssimos, diga-se de passagem)? Duas respostas são automáticas: para combater a pirataria, e/ou porque há uma demanda do mercado pelo retorno dos bolachões.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com toda a tentação do mundo, não posso me entregar à discussão sobre a origem da decisão das gravadoras, vez que fazê-lo seria ficar discutindo se o mercado faz a demanda, ou a demanda faz o mercado. Embora de natureza econômica, essa pergunta tem nuances filosóficas e de forte pendor de psicologia de massas. Mas como não tenho interesse de trilhar esse rumo, dobro à esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A questão que proponho é a seguinte: acredito que estamos (não sei se por nós mesmos ou se por imposição de um grande irmão escondido em algum lugar do mundo ou de minha mente paranóica) cada vez mais em busca de uma ritualização de nossas atividades cotidianas, que se tornaram, com a massificação da produção capitalista, imediatas e desprovidas de sentido. O cd e o mp3 trouxeram a música para (quase) dentro de nossas cabeças. O Mcdonalds transformou a ingestão de nutrientes (!!!) em uma atividade semelhante à de abastecer um carro. Todas as nossas atividades, sem exceção, foram simplificadas ao extremo, ao ponto de não nos ser permitido um tapinha nas costas ou “como vai a família” com o gerente do banco, uma vez que temos o Caixa Eletrônico e a voz irritante do computador. A internet (essa nossa heroína de todas as semanas) roubou-nos o prazer de fazer compras, de passear em livrarias. Enfim, sob o pretexto da velocidade, da facilidade, da praticidade, subtraiu-se nosso ritual de vida. E tudo perdeu o sentido, no sentido mais objetivo que se possa perder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro muito bem quem foi, mas sei que alguns filósofos trataram desse tema, qual seja, o da perda de sentido pela repetição. Creio até mesmo que seja um atributo psicológico de nossa mente. A repetição contínua de uma atividade acaba por retirar o sentido das coisas. O significado (meaning) só pode estar presente em algo que é raro e finito – motivo pelo qual a vida tem um significado intrínseco – e a humanidade, ao longo de milênios e milênios lidou, sacralizou situações e manteve uma relação com as coisas e seus significados. Todavia, de duzentos anos pra cá, a obsessão pela produção resolveu que tudo que não fosse ligado à produção de bens ou serviços com valor de mercado deveria ser posto de lado ou ter sua influência na produção reduzida ao máximo. Com isso, a vida, ao fim e ao cabo, termina por ser tão saborosa quanto um McFish (que pra mim tem gosto de isopor).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A idéia que propus é a seguinte: pode ser que estejamos buscando, cada vez mais, talvez num exercício arbitrário de luxo, dar sentido às coisas. Retornamos à infância, em que aprendemos a nomear as coisa (vez que nomear é atribuir significado). Por isso, preferimos comida japonesa - que não pode ser desritualizada, pois senão perde 90% do sabor – à um lanche rápido. Preferimos um disco de vinil (que tem que ser limpo, posto na vitrola, delicadamente colocado em contato com a agulha, e tem dois lados) a uma música sem sentido tocando num mp3 qualquer. Enfim, preferimos o ritual e o significado à velocidade insossa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que eu esteja devaneando e não consiga convencê-los. Não consegui convencer minha amiga. Para ela, é tudo imposição do mercado, criando novos mercados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qual a opinião de vocês?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-3257026789048085240?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/3257026789048085240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=3257026789048085240' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/3257026789048085240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/3257026789048085240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2009/07/o-ritual.html' title='O ritual...'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-6765955862432896681</id><published>2009-07-06T12:38:00.002-03:00</published><updated>2009-07-06T12:39:39.925-03:00</updated><title type='text'>Sem nome...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Meus caros…Sinto informar-lhes que se abateu sobre mim um misto de gripe e desânimo, não necessariamente nessa ordem. Uma afasia incapacitante e acinzentada que impede qualquer tentativa de produção literária, por mais despretensiosa que seja. As idéias são muitas. Algumas sobre a maravilha da humanidade. Outra sobre a mesquinhez dos homens. Muitas sobre a injusta finitude da vida humana e alguns lampejos de um hediondo sentimento de que alguns humanos não são dignos de tal adjetivo. Cheguei mesmo a ter a impressão de que pretender tratar os cães como humanos seria algo terrível para os cães. Contradição sobre contradição, sobre contradição. Esta a característica humana por excelência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nestes dias meus companheiros tem sido o chá verde (que amarela os dente de modo impressionante) e os cobertores (não felpudos, vez que estes produzem séries de espirros cômicas). A internet, ao alcance das mãos, não parece trazer novidades. Sombrios tempos estes em que as manchetes desta semana se parecem demais com as do mês passado, e do retrasado, e assim por diante, ad infinitum...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito embora tudo que foi dito, conheço-me bem a ponto de saber que estes traços de bipolaridade (não sei se é isso... não fui diagnosticado por um profissional) estarão bem distantes deste confortável cômodo em que me encontro dentro em breve. Então escreverei sobre flores que não tocaram meu olfato, amores que não arranharam meu coração, músicas que não ouvi, paisagens que não vi... enfim. Utilizarei o arsenal de possibilidades dos que colocam palavras em papéis e que muitas vezes não precisam fazer um mínimo de sentido. Afinal, acho que quero é ser um grande fingidor mesmo (salve Pessoa).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para a Marta, que me fez – com o maior prazer do mundo – sair da cama e vir até aqui. Este tosco ensaio é pra você.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-6765955862432896681?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/6765955862432896681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=6765955862432896681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6765955862432896681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6765955862432896681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2009/07/sem-nome.html' title='Sem nome...'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-2794208844853148169</id><published>2009-07-05T19:42:00.001-03:00</published><updated>2009-07-05T19:42:49.269-03:00</updated><title type='text'>http://lattes.cnpq.br/1744912628656412</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-2794208844853148169?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/2794208844853148169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=2794208844853148169' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/2794208844853148169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/2794208844853148169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2009/07/httplattescnpqbr1744912628656412.html' title='http://lattes.cnpq.br/1744912628656412'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-8961299327914781198</id><published>2008-02-10T03:43:00.000-02:00</published><updated>2008-02-10T03:47:03.375-02:00</updated><title type='text'>Copo cheio sem medo!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Se eu pudesse encontrar uma linha geral em todos meus textos e em minhas indagações e angustias filosóficas, talvez encontrasse a eterna dúvida da humanidade em poder conhecer, ou até mesmo vislumbrar, um caminho que ligasse o ser humano com segurança à uma concepção de verdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Tratava-se de uma dúvida sempre presente. Infelizmente para alguns posso hoje dizer que não creio ser possível, no atual estágio do conhecimentos e dos ceticismos implícitos e ignorados encontrar tal caminho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Assim, perdidas as esperanças de encontro com um Deus, Salvador ou até mesmo filosofia absoluta, vejo-me obrigado a espairecer do único modo que à minha singela alma lhe cabe: por este diário.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Hoje afirmo: podem existir verdades. Certamente existem no mundo dos fatos, no mundo real, o qual não nos é autorizado por nossa constituição conhecer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Como fica então, diante de tais dificuldades naturais de nossa constituição biológica nosso contato com o mundo externo a nossos sentidos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A afirmação que farei parecerá pedante para alguns. Pretensiosa para muitos. E, certamente, inocente para todos. Mas creio, ainda que possivelmente taxado de simplificador da condição humana, que é a única maneira, o que transforma este texto, a despeito de meus maiores pesadelos intelectuais, em um exercício de auto ajuda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O ditado é velho, quase clichê. Mas serve: Se pudéssemos ver um copo parcialmente cheio de água, para alguns mortais este recipiente estaria “meio cheio”. Para outros, “meio vazio”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Impossível deixar de notar que conhecemos ao longo da vida pessoas que sempre observaram copos e taxaram-nos de meio cheios. São os otimistas. Os outros, do copo “meio vazio”, os pessimistas. Os primeiros desdenham de certa forma do sentimento de medo que paira sobre os humanos. Os segundo estão imersos neste sentimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Sejamos otimistas. Não tenhamos medo da vida. O único medo digno é o medo do fim. Da inexistência. Da inevitável morte.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;Até lá, &lt;i style=""&gt;let’s celebrate the only life we have: our own!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-8961299327914781198?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/8961299327914781198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=8961299327914781198' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/8961299327914781198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/8961299327914781198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2008/02/copo-cheio-sem-medo.html' title='Copo cheio sem medo!'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-175881307375414222</id><published>2008-01-28T20:07:00.000-02:00</published><updated>2008-01-28T20:10:32.943-02:00</updated><title type='text'>Wenn das liebe ist.</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Confesso que fiquei surpreso com algumas reacoes a meu texto anterior. Creio ter sido visto como um sonhador. Um ser quixotesco. Alguém atrás de uma Dulcinéia, que me dizem ser Aldonza. Talvez. Mas não se trata de um objeto, mas de um espírito. Ou mesmo a vontade de um espírito, que não mais se encontra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Atire a primeira pedra quem não pensou ser essa felicidade algo possível! É claro que, para os desastrados como eu isso evapora no primeiro sol quente que ilumina minha cabeça...mas tem estado nublado ultimamente. Mas sei onde viram minha insanidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Nesses tempos imediatos, cheio de já e agora, em que tudo o que a todos interessa é o prazer a todo custo, talvez não mais haja lugar para o amor. É bem provável que nem mesmo para a paixão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Por mais ridículo que seja querer enveredar pelos caminhos de Camões, que definiu (se é que isto é possível) a essência de ambigüidade do amor, com seus fogos invisíveis e dores insensíveis, talvez a ousadia permita ao homem por trás deste texto palpitar sobre a maior característica da humanidade nos últimos duzentos ou trezentos anos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Assim, pode-se falar que o amor, num sentido diverso do amor do mestre luzitano, num sentido mais “senil” seja, acima de tudo, identidade. Um ver-se no outro de nós mesmos. Uma decorrência do processo que começa com a possibilidade de vir a ser, e não termina. Torna-se um dia, uma bela constatação, uma sintonia. Um reconhecimento de si em outro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Num mundo em que não sabemos nem queremos saber o amanha e onde o que importa é o agora, como pode haver lugar para dois sentimentos que são, como todos os sentimentos que se preze, conseqüência de um processo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Viveremos de hoje em diante num mundo sem amor. Só euforia e escravidão barata. Vamos jogar esta besteira de amor no lixo e comprar uma Ferrari à prestação. Aí não precisaremos da Hustler, né?!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: times new roman;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Vivam assim, se quiserem... Eu vou ver a cerimônia do acasalamento das abelhas da Papua Nova Guiné no Discovery Channel... Elas sabem viver...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-175881307375414222?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/175881307375414222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=175881307375414222' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/175881307375414222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/175881307375414222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2008/01/wenn-das-liebe-ist.html' title='Wenn das liebe ist.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-5444794620584271448</id><published>2008-01-22T20:28:00.000-02:00</published><updated>2008-01-23T01:06:24.009-02:00</updated><title type='text'>Compartilhamentos...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Se você aceita um conselho, te diria para andar sem pressa. Diria para olhar a paisagem, que não reclama de ser vista, quase nunca sendo enxergada;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Se você aceita um conselho, diria para pensar nos amigos, nessas pessoas que por alguma conexão cósmica caminham ao teu lado, ainda que por pouco tempo, nessa estrada que chamam de vida;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Se você aceita um conselho, peça aos que gosta para perceberem como ficar ao lado de certas pessoas, sem falar nada, é muitas vezes a maior comunicação que nesta vida podem ter;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Se você aceita um conselho, avise a todos que há um mundo dentro de cada cabeça, que quando apreciada pelo próprio dono, se torna o maior parque de diversões do universo;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Mas não sei se conselhos são válidos. Não sei se você quer fazer tudo à minha maneira, o que faz destes conselhos, uma intromissão violenta;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Mas não deixo de falar&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pois se você aceita conselhos, desejaria a todos que desejassem pouco, nada além de um trabalho onde coisas se realizassem, onde pudéssemos chacoalhar mentes, pois disto o mundo precisa e sempre precisará;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E nestes conselhos, eu diria para que você desejasse saúde, afinal, ainda que efêmera, é uma causa dessa beleza inerente aos que amam a existência;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;e diria pra que você quisesse ao teu lado uma mulher, de quem tenha orgulho todos os dias, seja pela beleza, seja pela inteligência, e que a olhe todas as manhãs e repita pra si: “ela me escolheu...”. Deseje alguém de cuja vida tenha vontade de ser testemunha;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E ainda que você me pedisse pra parar, se você quisesse um conselho, eu te diria pra buscar alguém com quem pudesses ficar horas conversando e imaginando a melhor forma de educar os filhos, qual papinha comprar, e até se o rebento poderia ler “O Soldadinho de chumbo” pela violência implícita;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E eu te imploraria pra que você ouvisse meus conselhos, pra que desejasse não muito dinheiro, apenas o suficiente para teu conforto, para que pudesse ver o mundo e ser testemunha desta maravilha chamada Terra, mas que não se perdesse na ridícula tentação da ostentação vazia;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E eu te diria, pra que você usasse sua renda para, ao lado de tua companhia, comer comidas que ainda não comeram, beber bebidas que não beberam, e que juntos pudessem dividir os sabores do mundo;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;e em meus conselhos, falaria pra que você tivesse ao teu lado alguém que gostasse de dançar, de dançar junto, de dupla, e de dançar todos os ritmos de todas as músicas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;e te diria pra que ouvisse samba, mas não se esquecesse de Frank Sinatra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Eu te diria que tivesse um filho, pra que você possa ver o mistério da existência brotando em sua frente, e te tirando de seu próprio pedestal, pra que assim, você visse a mágica da vida se abrindo para o mundo, na mais incrível explicação da palavra encantamento;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E eu te avisaria que, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;de tudo &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;aquilo que se pode buscar na vida, a mais nobre é a eterna luta pela lucidez, que lhe permite discernir o que traz dor ou alegria às pessoas, e então poder escolher teu caminho;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Eu pediria pra que se você pedir dinheiro, peça a riqueza na alma dos seus amigos, de sua mulher, de seus filhos;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Não queira muito. Jamais queira além da conta. Felicidade pode ser este equilíbrio que faz com que tudo esteja por perto, mas que nada jamais perca o sentido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-5444794620584271448?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/5444794620584271448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=5444794620584271448' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/5444794620584271448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/5444794620584271448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2008/01/compartilhamentos.html' title='Compartilhamentos...'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-6160443533563987066</id><published>2008-01-07T19:07:00.001-02:00</published><updated>2008-01-07T19:20:10.204-02:00</updated><title type='text'>Verdade: Objeto ou Significado???</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não é de hoje que a humanidade, em suas mais diversas formas de agrupamentos sociais, tem tido, em maior ou menor escala, um contato interessante com a questão da “verdade”. De fato, durante um enorme período de nossa história a “verdade” foi um atributo das coisas, o qual era conferido pela religião, por aquilo que era Sagrado. Questões sobre a posição do planeta no espaço, sobre a natureza divina do homem, sobre a imortalidade da alma, muito antes de poderem ter sido analisadas pela ciências, foram objeto de análises teológicas nos discursos de inúmeras religiões ao redor do globo, em diversos momentos históricos. Todas essas análises da “verdade”, às quais poderíamos denominar “verdades reveladas” sempre tiveram um papel fundamental no surgimento e no ocaso das mais diversas civilizações. A existência de um discurso religioso conciso e legítimo que explique o mundo e analise a realidade tem uma conexão inevitável com a interpretação da verdade nos mais diversos momentos da história.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Feita essa breve digressão é preciso que se pontue o momento em que algumas questões se entrelaçam. São elas, por excelência, a conexão entre a Religião, a Ciência, a Verdade, o “Método” Cartesiano e, em partes, a filosofia de Kant. Todos esses aspectos se interconectam para poder fazer com que compreendamos o caminho que trouxe a porção ocidental da humanidade da Idade Média em direção ao Iluminismo, o qual possibilitou que criássemos o mundo que hoje conhecemos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Como afirmado outras vezes, pode-se dizer que a compreensão total da “verdade” é algo que somente é possível num ambiente religioso. Não quero dizer com isso que a ciência é menos apta a explicar o mundo do que a religião. Sustento, ao contrário, que somente quando se aceita a existência de uma “verdade” a ser revelada, se pode compreender tal “verdade” como sendo total em si mesma. O homem comum, desconectado de uma visão religiosa que lhe permita acreditar que detém a realidade do mundo, sempre estará obrigado a duvidar de seus cinco sentidos. Em outras palavras, nossos sentidos (visão, olfato, audição, tato e paladar) nos enganam. Esse “engano ontológico” impede que tenhamos uma apreensão total da realidade. Somente somos capazes de perceber “fatias” da verdade. Tais enganos dos sentidos foram muito bem analisados por René Descartes em seu celebre livro de 1647 “Discurso do Método”&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7237907&amp;amp;postID=6160443533563987066#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  lang="PT-BR" &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Um outro aspecto da dificuldade da apreensão da realidade tal como é pelos seres humanos se encontra na convergência de nosso olhar. O ser humano ao olhar um cubo, jamais conseguirá ver, ao mesmo tempo e diretamente (sem o auxílio de espelhos) a totalidade do cubo, e mesmo com espelhos, nosso foco de visão sempre estará direcionado a um dos seis lados&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7237907&amp;amp;postID=6160443533563987066#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  lang="PT-BR" &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Tais “impossibilidades congênitas” da humanidade em sua relação com a verdade total, sempre fazem com que, de tempos em tempos, o discurso religioso (muitas vezes fundamentalista) volte à tona.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Num outro aspecto, há que se fazer uma distinção entre a “verdade” que se pretende analisar neste texto, e a verdade vulgar, aquela que cotidianamente contrapomos à mentira. Aqui não se faz uma menção direta à verdade/mentira. Esta verdade vulgar tem seu campo de análise reduzido à mente humana. Neste sentido, podemos dizer que é verdade aquilo que um ser humano afirma quando seu discurso está de acordo com o que se passa em sua cabeça, ou seja, quando discurso for de acordo com a percepção dos sentidos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Esse jogo de vai-e-vem entre a “Verdade Revelada” e a Realidade Absorvida pelos sentidos (empírica) faz com que a humanidade, mormente em sua porção ocidental, acabe por construir sistemas lógicos muito interessantes quando o objetivo é a análise de determinado fato ocorrido no passado. É o que Michel Foucault chamou de “jogos de verdades”&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7237907&amp;amp;postID=6160443533563987066#_ftn3" name="_ftnref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  lang="PT-BR" &gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. A tese de Foucault se sustenta alegando que, como é impossível saber a realidade sobre determinado ato de outrem ou fato ocorrido no passado, o que resta ao inquisidor é a possibilidade de, recolhendo depoimento de pessoas que foram testemunhas de partes de atos e/ou fatos conexos com o objeto de dúvida, reconstruir de maneira verossímil os passos anteriores ou imediatamente posteriores ao fato para, assim, buscar convencer o inquisidor de que tal fato realmente ocorreu&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7237907&amp;amp;postID=6160443533563987066#_ftn4" name="_ftnref4" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  lang="PT-BR" &gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. No mesmo sentido, e através da mesma mecânica, busca-se descobrir a verdade dos pensamentos do agente observado. Observe-se: Foucault coloca em xeque com uma única jogada dois pilares de nossa modernidade. Por um lado ele deixa claro que o homem jamais será capaz de saber como algo que ocorreu no passado de fato ocorreu, assim como jamais será capaz de saber como alguém está pensando, pois o observados dos fatos está preso a limites temporais (passado) bem como à sua impossibilidade Kantiana de observar o todo. Por outro lado ele fala não em descoberta da realidade, mas em um “jogo de verdade” cujo único objetivo é o convencimento. O que se busca é convencer que fulano cometeu tal crime, ou que tal fato ocorreu. Afinal, a verdade propriamente dita, está, ou no passado, ou na cabeça de alguém, e nada pode retirá-la de lá. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Talvez Foucault não saiba, mas com esse seu lance, tenha talvez reconciliado a visão religiosa da verdade e a análise cartesiana e científica (empírica até) da busca da realidade. Obviamente ele não diz que devemos aceitar uma verdade revelada por um Sacerdote de qualquer confissão religiosa que seja. Contudo, também não diz que nos é possível uma apreensão total da realidade por nossas próprias impossibilidade biológicas. Foucault, buscando analisar a conexão entre tais opostos, num exercício de eureka fascinante, demonstra que a apreensão da realidade não reside na simples observação do objeto, como seria de se esperar da ciência, nem tampouco no discurso livre, mas moralmente aceitável, de um pároco qualquer. Foucault, talvez sem querer, nos dá a resposta de que a análise da realidade é um exercício simbiótico entre o objeto e seu significado, ou seja, entre a explicação científica e a moral ou religiosa e, até mesmo, ética.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tal visão talvez seja a grande saída para alguns dos grandes impasses da pós-modernidade. Afinal, sabemos hoje que não temos como descobrir a verdade. Mas também não queremos ser ludibriados por novas religiões que provam um crime através de ordálias&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7237907&amp;amp;postID=6160443533563987066#_ftn5" name="_ftnref5" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  lang="PT-BR" &gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. A idéia de Foucault faz com que se vislumbre um momento no futuro da humanidade em que talvez, conscientes da impossibilidade de descobrirmos a existência de algo no passado e na mente de alguém, os contendores em um litígio judicial possam jogar uma partida de futebol, ou se desafiarem num duelo de dança para ver ao lado de quem estava a verdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt; &lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7237907&amp;amp;postID=6160443533563987066#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  lang="PT-BR" &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; Nesta obra o autor ensina, em suma, uma única arte: a da dúvida como sendo a grande ferramenta para o bom raciocínio. Esta obra, além de enfurecer a Igreja e quase custar a cabeça de Descartes, deu início ao método científico, lançando as bases da ciência moderna, a qual até hoje, com poucas variações práticas, é toda baseada na tentativa e erro, e na dúvida persistente até o alcance de um resultado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn2"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7237907&amp;amp;postID=6160443533563987066#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  lang="PT-BR" &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; Esta característica da impossibilidade de uma visao total por parte do ser humano foi analisada por Kant em sua obra “Crítica da Razão Pura” de 1781.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn3"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7237907&amp;amp;postID=6160443533563987066#_ftnref3" name="_ftn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  lang="PT-BR" &gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; &lt;span style=""&gt;Michel Foucault&lt;/span&gt; - (&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Poitiers" title="Poitiers"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Poitiers&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/15_de_outubro" title="15 de outubro"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;15 de outubro&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1926" title="1926"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;1926&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; — &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paris" title="Paris"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Paris&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/26_de_junho" title="26 de junho"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;26 de junho&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1984" title="1984"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;1984&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;) foi um &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia" title="Filosofia"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;filósofo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Professor" title="Professor"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;professor&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; da cátedra de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria" title="História"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;História&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; dos Sistemas de Pensamento no &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Coll%C3%A8ge_de_France" title="Collège de France"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Collège de France&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; desde &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1970" title="1970"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;1970&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1984" title="1984"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;1984&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn4"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7237907&amp;amp;postID=6160443533563987066#_ftnref4" name="_ftn4" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  lang="PT-BR" &gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; “A verdade e as formas jurídicas” Michel Foucalt.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn5"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=7237907&amp;amp;postID=6160443533563987066#_ftnref5" name="_ftn5" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  lang="PT-BR" &gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; A ordália consistia em que, na divergência de testemunhos, remetia-se a verdade para o juízo de Deus, ou seja, Deus não podia beneficiar o culpado contra o inocente. Em Portugal, os ordálios utilizados foram de dois tipos: o &lt;b&gt;ferro em brasa&lt;/b&gt; e o &lt;b&gt;duelo judicial&lt;/b&gt;. No primeiro caso, o juiz e um sacerdote aqueciam o ferro, que o acusado era obrigado a segurar. O juiz cobria-lhe a mão com cera, punha-lhe por cima linho ou estopa e enfaixava tudo com um pano. Decorridos três dias, o estado da mão era analisado e se houvesse chaga o réu era considerado culpado e imediatamente condenado. O duelo judicial a cavalo ou a pé, segundo a classe social dos intervenientes, durava três dias. Após esses dias, o vencido perdia o processo, se não houvesse vencido, perdia quem tinha pedido o desafio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-6160443533563987066?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/6160443533563987066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=6160443533563987066' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6160443533563987066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6160443533563987066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2008/01/verdade-objeto-ou-significado.html' title='Verdade: Objeto ou Significado???'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-6131433698245047112</id><published>2008-01-06T16:59:00.000-02:00</published><updated>2008-01-06T21:45:46.638-02:00</updated><title type='text'>O quê, como e por quê?!?!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Todos já ouviram falar, pelo menos uma vez, que Galileu Galilei foi condenado por provar por A mais B que o planeta Terra não era o centro do Universo e que, na verdade, apenas girava ao redor do sol. Qualquer pessoa com um grau mínimo de instrução acaba, cedo ou tarde, a lançar pesadas críticas à Igreja Católica de Roma, acusando-a de ter perseguido e matado inúmeros pensadores apenas por que estes divulgavam suas idéias e pesquisas, as quais contrariavam dogmas da Igreja e contradiziam a interpretação teológica das Escrituras Sagradas do cristianismo. Muitos já bradaram aos quatro ventos que a “Santa Igreja de Roma” teria sido muito, mas muito mais sanguinária do que os regimes alemão e soviéticos juntos, e que o holocausto seria fichinha perto da voracidade insaciável dos representantes do Papa durante o fim da Idade Média. Mas, afinal, o que isso significa? Qual o contexto histórico que levou a Igreja Católica Apostólica Romana a ser a maior religião institucionalizada do mundo ( a única com um país só seu) e, ao mesmo tempo, ser acusada de ser a maior assassina da história da humanidade? A questão, a contrário do que muitos pensam, chega a ser simples quando analisada através de um enfoque mais direto e menos religioso ou fanático. Em síntese, tudo não passou de uma grande luta pelo encargo de dizer “o que é o quê, como é e porque é”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É evidente que a frase acima não tem o mérito de ser tão clara quanto se poderia esperar. Contudo, a idéia de uma luta pela prerrogativa de dizer o que é, como é e por que é pode e deve ser vista como o foco central das lutas que foram travadas entre os religiosos e os céticos em toda a história da humanidade e não apenas no ocidente. Afinal o objetivo maior de todas as religiões é a criação de uma explicação de mundo que esteja de acordo com os objetivos do grupo que comanda a estrutura religiosa. Essa regra vale para Judeus, Cristãos e Muçulmanos, bem como para todas as filosofias originárias de ordens morais reveladas. Não se pode jamais dissociar o elemento religiosos do elemento social. A atual separação entre a religião e outras formas de poder que podemos observar no ocidente é relativamente nova. Para muitos de nós (ocidentais, modernos e filhos da cultura pop) imaginar uma pessoa que mata ou morre em nome de um Deus é um absurdo desmesurado. Entretanto, esquecemos que essa é a regra da humanidade e que nossa invenção de liberdade religiosa é a exceção. Até trezentos anos atrás ainda se podia ver resquícios das perseguições religiosas nos países colonizados pela Espanha, até mesmo na América colônia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Existe um padrão a ser considerado quando se fala em Sistemas Religiosos e a explicação de mundo daí decorrente. A legitimação da Religião se dá em duas frentes. Em primeiro lugar existe um processo de sacralização do povo e da terra (&lt;u&gt;nós&lt;/u&gt; somos especiais e &lt;u&gt;nossa&lt;/u&gt; terra é sagrada e foi abençoada por &lt;u&gt;nosso&lt;/u&gt; Deus ou Deuses). Logo em seguida há um processo contínuo explicação do mundo (por exemplo: o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, por isso está numa posição superior perante os demais animais. Não por outro motivo, como o homem é o ser divino por excelência, a terra deve ser o centro do universo, afinal o universo foi feito por Deus para os homens). Os dois métodos – sacralização e explicação – são contínuos e não tendem a parar até que encontrem uma força que tenha maior legitimação para explicar a realidade, ou força suficiente para destruir todo o séquito religioso.&lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;" lang="PT-BR"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando se tem por objeto de análise a história da Igreja Católica Apostólica Romana de fins de idade média podemos encontrar uma afronta conjuntural aos dois tipos de sistemas. Em primeiro lugar a luta entre o objetivo de sacralização e o desconhecido (nós Sagrados X eles Profanos). Afinal, naquela mesma época tinha início a retomada das rotas comerciais após quase mil anos de um fechamento (idade média) que teve um papel importantíssimo na construção da identidade européia e cristã. Neste momento o europeus passam a ter contato com povos diferentes, mercadores de várias regiões do mundo e se deparavam com uma afronta à idéia de que todos os diferentes são infiéis e que, se não forem convertidos, devem morrer. Por outro lado, o sistema da explicação religiosa do mundo entra em crise e seu grande algoz tem nome e sobrenome: a ciência moderna.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Fica clara a encruzilhada da fé cristã nos séculos XIII, XIV, XV e XVI. Se no início do segundo milênio as Cruzadas organizadas pela igreja de Roma tiveram como objetivo sacralizar os bárbaros pela espada e atingir a Terra Santa (o que reforçou a unidade européia e recriou as rotas comerciais), no período de quatrocentos anos que vai de 1201 a 1600 a Igreja vai bater de frente com um inimigo ainda mais letal e que brota em seu seio. A ciência trazia uma nova explicação de mundo que desafiava a explicação da vontade divina para as coisas. É a ciência que, pouco a pouco, passa a poder dizer “o que é o quê, como é e por quê é”. Não é pouca coisa que a Igreja estava prestes a perder. Afinal, o que seria de uma Igreja que não sacraliza o próprio espaço, nem explica o mundo? O que lhe resta?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Foram necessários alguns séculos, muitas cabeças roladas, e varias fogueiras de gente pra todo esse processo se acalmar. O fim dessa história (se é que realmente já terminou) pode ser visto como a própria revolução francesa, com a declaração da igualdade entre todos os homens e a supremacia da burguesia européia, a qual herdou de certa forma os privilégios e os poderes do clero. Outra conseqüência foi a compensação da perda do poder religioso da Igreja Católica Apostólica Romana pelo ganho de um poder político que trouxe para o mundo secular a Sacralidade do Cristianismo, o que pode ser vislumbrado na existência do Vaticano, Estado Soberano que possibilita à Igreja Católica ter seu sumo pontífice entrando e saindo de palácios de governos mundo a fora sem que a separação Igreja-Estado seja jamais contestada. Contudo, não se busca aqui uma análise do desenrolar do fim da idade média e da época do iluminismo. O que se tem por objetivo é mostrar como o poder de decifrar o mundo e explicar a natureza e as verdades é um ponto central na nossa vida, hoje e em todas as épocas da humanidade. Basta vermos o poder que hoje se encontra nas mãos da ciência moderna, com suas corporações farmacêuticas multibilionárias, à serviço do capital internacional, com lucros maiores que o PIB de muitos países.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas essa luta ainda não acabou. Ainda vemos hoje em dia uma luta pra saber que tem a palavra final sobre essa verdade humana. Um exemplo é a luta da mesma Igreja Católica contra os métodos de contracepção e a eutanásia. A própria resposta à pergunta “onde começa a vida” está em jogo. Ainda não se sabe qual será a resposta verdadeiramente verdadeira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;" lang="PT-BR"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; Uma explicação mais detalhada sobre o funcionamento das religiões pode ser encontrado em “O Sagrado e o Profano” de Mircea Eliade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-6131433698245047112?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/6131433698245047112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=6131433698245047112' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6131433698245047112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6131433698245047112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2008/01/o-qu-como-e-por-qu.html' title='O quê, como e por quê?!?!'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-7894890948704349722</id><published>2007-12-05T16:28:00.000-02:00</published><updated>2007-12-05T16:31:23.338-02:00</updated><title type='text'>Me, my self, and I</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;Prezados leitores, perdoem-me a preguiça. Durante quase um mês longe do blog não pude postar coisas novas. Hoje tento compensar minha ausência com uma idéia que é, em última análise, decorrência inevitável dos dois últimos textos, embora possa no começo parecer um pouco confusa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Numa linha cronológica, afirmei nos dois últimos posts que: &lt;b style=""&gt;a)&lt;/b&gt; a humanidade, ou pelo menos sua porção de cultura ocidental, vive hoje em dia uma espécie de febre de prazeres, uma angústia causada pela busca desenfreada pela ausência total das dores, e &lt;b style=""&gt;b)&lt;/b&gt; que tais buscas (ou a própria angústia da humanidade) tenha origem na substituição da ordem psicológica do equilíbrio/desequilíbrio por uma ordem psicológica do bem/mal. Apontei como sendo o denominador comum do surgimento da visão de bem/mal a criação do monoteísmo, especificamente com o povo judeu, milênios antes do cristianismo e do islamismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas, como é inevitável, me perguntariam: o que tem a ver uma coisa com a outra? A resposta é extremamente complexa, e mesmo eu, que agora escrevo este texto, talvez não poderia dá-la de forma satisfatória. Mas como aqui o objetivo é não ter vergonha de pensar (e fazer pensar) vamos arriscar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O ponto que se pode identificar como sendo o do início da luta do bem contra o mal (e não mais de uma simples, mas árdua, compensação entre o equilíbrio e o desequilíbrio) é o do surgimento do monoteísmo por alguns motivos. Até então havia uma noção muito sutil de individualidade no ser humano. O homem era aquilo que sua tribo ou seu grupo fazia dele, bem como aquilo que seus deuses faziam dele. Poder-se-ia dizer que a mente humana não teria até então desenvolvido algo que hoje nos parece inevitável: o núcleo duro do “eu”. Ou seja, não teríamos desenvolvido de forma total o que hoje, em inglês, chamamos de “self”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A correlação entre o self e o monoteísmo é simples e parte de uma premissa simples: o homem somente consegue enxergar e criar aquilo com que se identifica. Todas as mitologias, todos os rituais pagãos, todos os ritos xamânicos partem da premissa de que o homem da tribo era um ser totalmente influenciável pelas forças da natureza. A alma humana (alma, não o espírito), do latim &lt;i style=""&gt;anima, &lt;/i&gt;seria algo volátil e algo influenciado por forças externas a ele. Isso seria algo totalmente natural, algo que se encontraria perfeitamente presente na natureza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O surgimento do monoteísmo tem um significado claro: a partir deste momento o homem toma consciência de si como um ser uno e independente da natureza, a qual regia até então sua existência. Surge, ao invés de uma gama de deuses que refletiam a natureza fluida e inconstante do homem, um único deus, o qual será, a partir de então o exemplo, o guia, aquele que determina o que é bom e o que é mau, o que é sagrado e o que é profano. Perceba-se: a noção de “mal” se relaciona, de certa forma, com tudo aquilo que tira o homem do controle de si mesmo, tudo aquilo que o tira do controle de sua própria existência (considerando-se a existência como a média de características encontradas nos homens em determinado local e época). Nesta leitura, de forma inevitável, a natureza, por suas características sempre em alguma maneira imprevisíveis, se aproxima muito da noção de mal, enquanto o “bem” se identifica com tudo aquilo que mantém o homem e o seu “self” como o senhor de seu destino, a despeito da natureza. O homem cria o que é bom.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Observa-se aqui, a capacidade criativa dos seres humanos. A criação de um “Deus”, como sendo um ser autoconsciente (ou seja, que sabe que ele é “Deus”), que sabe de tudo que acontece sobre a terra (onisciente), que pode fazer qualquer coisa (onipotente), e que está em todos os lugares (onipresente). Trata-se da grande metáfora dos desejos humanos. Quem de nós, reles mortais, não gostaríamos de poder fazer tudo que nos desse na veneta, de saber tudo o que acontece – e até o que pensam de nós - , e de estarmos em todos os lugares (o que implica na possibilidade de viver várias vidas numa só)?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas tem muito mais. A criação do “self”, que implica na criação do deus monoteísta, eleva o homem acima da natureza. E aqui a atenção de quem lê este texto deve ser redobrada. Mas antes, deve-se deixar claro o que se quer dizer quando se fala em “self”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Um exemplo. Quando se faz meditação, o que se busca é um desligamento total do mundo exterior. Para isso deve-se buscar não ouvir, sem que se precise tapar os ouvidos (ouvir sem prender a atenção), inalar sem que se sinta odores de forma consciente, fechar os olhos e não pensar em imagens, ou seja, desconectar-se dos sentidos que nos conectam à realidade externa à nossa mente. Deve-se desligar o raciocínio. O fantástico de tudo isso é que algo perdura, ainda que estejamos longe de qualquer contato com a realidade exterior, embora próximos de uma realidade interior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A pergunta que deve ser feita é a seguinte: somos os únicos seres dotados de autoconsciência? Eu sei que eu sou “eu”, mas meu cachorro sabe que ele é ele? Minha samambaia da sala de casa sabe que ela é ela? O planeta terra sabe que é o planeta terra? É evidente que eu não vou tentar responder estas perguntas. Simplesmente não temos como saber. Pelo menos não de forma racional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Century;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tais questões não foram e não serão respondidas. Talvez não haja uma resposta, mas sim um eterno processo de convencimento. Contudo, o que se quer deixar claro aqui é, ao menos nos três últimos textos é que não há essencialmente uma luta entre o bem e o mal, entre as dores e prazeres, e entre o “homem” e a “coisa”. Há, isto sim, uma eterna luta entre, de um lado, a noção de bem e mal, e de outro, a idéia de um mundo onde o interessante é manter-se em pé, de forma equilibrada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-7894890948704349722?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/7894890948704349722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=7894890948704349722' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/7894890948704349722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/7894890948704349722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2007/12/me-my-self-and-i.html' title='Me, my self, and I'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-3657704621708378206</id><published>2007-10-30T01:26:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T15:30:02.019-02:00</updated><title type='text'>A lógica da exclusão</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Graças à contribuição de alguns colegas (com quem posso dizer que divido o blog) e principalmente pelas “luzes” por todos eles lançadas, sempre com “comentários super pertinentes e assaz edificantes”, tive, ao ler as colaborações ao último post, uma espécie insight, que agora gostaria de dividir com meus incertos leitores.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;Em meu último texto, busquei discorrer de alguma forma sobre a eufórica busca pela ausência das dores em nossa sociedade. Repito, como afirmei, que a ausência total das dores pode levar a uma negação de nossa “humanidade” ou, em outras palavras, pela descaracterização da própria concepção do homem perante si mesmo. Mas, com a contribuição do comentário do João, pude perceber que há uma questão “translúcida” e quase imperceptível, mas que permeia quaisquer discussões sobre dores, morte e toda gama de dualidades que diuturnamente confrontam-se conosco, nas mais diversas situações da vida. Trata-se da questão do equilíbrio.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;Antes, um apanhado pseudo-histórico. Durante milênios, o pensamento mítico-religioso do mundo esteve baseado, dentre outras coisas, em visões antropozoomórficas de divindades, e em uma relação muito mais próxima entre o “bicho homem” e a natureza, até então vista como seu inescapável lar. Tais concepções de mundo&lt;a name="_ftnref1"&gt;&lt;/a&gt;*, ao contrário do que imaginamos hoje, por seu caráter de afirmação da condição animal do homem, tiveram, ao longo de sua evolução, uma correlação muito mais próxima de um modo de dualidade diferente do que temos em nossa sociedade. Se a dualidade religiosa/jurídica/moral básica que nos chegou é a da luta do Bem contra o Mal (Pecado/Sagrado, Noite/Dia, Certo/Errado, Saúde/Doença, Homem/Mulher, Inferno/Paraíso), a dualidade da filosofia mítico-religiosa primitiva (também conhecida como paganismo) podia ser compreendida pela dualidade equilíbrio/desequilíbrio.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;A diferença é brutal. Em primeiro lugar, deve-se observar que os ideais de Bem e Mal são propostos em raciocínios apriorísticos, ou seja, partindo-se de uma idéia de Bem – ou de Mal – para que depois se possa fazer a análise do caso em que tal idéia se apresenta. Em contrapartida, a visão do equilíbrio/desequilíbrio jamais pode prescindir do ambiente, do caso concreto em que se desenvolve a situação em questão.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;Necessário que se observe: a noção de Bem absoluto tem hora e lugar de nascimento na história das idéias humana. Até certo estágio da evolução racional, tal concepção era inimaginável. Isso porque, enquanto a natureza rege a vida do homem, enquanto a “mãe gaia” é quem rege o tempo, as estações do ano, as colheitas, a harmonia e o equilíbrio entre as forças é que se põe como o ideal maior. Afinal o equilíbrio é uma decorrência da soma de duas realidades antagônicas entre si (mas nenhuma delas é o bem ideal). O equilíbrio para a colheita está eqüidistante da seca e das chuvas, numa composição equilibrada, dentro do ciclo do tempo. O bom funcionamento de um corpo humano está associado a uma condição ciclotímica apurada e em consonância com a natureza, apurado sistemicamente, e não numa liberação desenfreada de serotonina no cérebro, ou com a produção de bile pelo pâncreas. Mesmo num estágio mais avançado do pensamento (já na Grécia antiga) as características dos Deuses estava na complexidade de suas características, numa composição entre a, p. ex., ira e a sagacidade, e não numa virtuosidade especifica (o que pode ser percebido, de certo modo, até mesmo nos santos do candomblé e de outras bases míticas). Em todos estes casos, é o equilíbrio de traços humanos (variados, antagônicos, sublimes e terríveis), que faz um ser digno de admiração, numa relação sempre conectada ao ambiente em que se dá o jogo.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Todavia, há um momento em que esta visão harmônica (em decorrência de sua menor individualidade) desaparece. Este momento é apontado por muitos historiadores como sendo o do surgimento do monoteísmo. De se notar que aí desaparece a visão dos Deuses de traços humanos, para surgir um Deus que é o modelo, e de quem fomos todos feitos à imagem e semelhança. Neste momento o equilíbrio e sua inevitável harmonia com o mundo desaparece (podemos até mesmo encontrar aqui o embrião da desconexão entre o homem e o planeta, por sua visão da natureza como algo “impuro” e “mal”). Surge, então, a noção de mal, que desde então aterroriza e amaldiçoa as mentes humanas.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;Assim, como se vê, o monoteísmo faz surgir uma visão em que o objetivo deixa de ser a soma de características, levando todos os raciocínios para a lógica da exclusão. Se antes somávamos buscando um objetivo, agora exclui-se aquilo que, por conveniência, se nos aparente como “mal”. Curioso notar como a lógica da exclusão permeia toda nossa sociedade, todas as instituições e toda moral ocidental. Até mesmo a economia e o conceito jurídico de propriedade (eu tenho, para evitar o “mal” de não ter...) pode, de algum modo, estar conectados com a noção de mal, falta, desprazer, ausência...&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;Neste ponto, retomo a questão abordada em meu último texto. Pois, ao que parece, a nossa concepção sobre as dores (e aqui agradeço a contribuição sobre o mal e os instintos que o João fez) somente poderão ser realmente compreendidas e positivamente analisadas com um retorno à essência dos equilíbrios da vida, e não na busca constante de negações da condição humana.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u2:p&gt;&lt;/u2:p&gt;&lt;a name="_ftn1"&gt;&lt;/a&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;" lang="PT-BR"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;" lang="PT-BR"&gt; Para maiores informações, vejam “Então você pensa que é humano” de Felipe Fernandez Armento, e “O Poder do Mito” de Joseph Campbell.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-3657704621708378206?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/3657704621708378206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=3657704621708378206' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/3657704621708378206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/3657704621708378206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2007/10/bens-e-equilibrios.html' title='A lógica da exclusão'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-6396181837098365873</id><published>2007-10-15T19:52:00.000-02:00</published><updated>2007-10-15T19:54:37.620-02:00</updated><title type='text'>O homem e a dor</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Há uma pergunta que a humanidade, ao longo de suas histórias, sempre acabou por fazer, em (creio) quase todas as civilizações que por este pequeno planeta caminharam. Tal questão, por mais absurda que possa parecer, está cotidianamente inserida em nossas vidas e conosco se relaciona mediante as respostas que recebeu de nossos antepassados. Haveria, afinal, alguma fundamentação moral ou ética para a existência e permanência da dor humana? O ser humano tem realmente o dever racional de buscar uma existência livre das dores (físicas, espirituais e morais) que assolam a condição humana?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Como diletante assumido que sou (não nego e gosto da idéia de sê-lo), minha abordagem do tema é necessariamente menos acadêmica do que de interpretação livre. Ainda assim, desprovido dos rigores necessários, creio que posso dar uma pequena contribuição aos meus companheiros de jornada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Em primeiro lugar, a afirmação de que a pergunta acerca da dor já foi inúmeras vezes feita, faço eu baseando-me nas religiões e códigos morais que a humanidade criou em seus mais diversos estágios e momentos de evolução e involução. E isso não significa que a resposta foi (nem de longe) a mesma para todos os povos. Sociedades mais coletivizadas veriam a dor moral como de insuportabilidade muito maior do que sociedades que cultuassem o individuo (para quem a dor física seria mais difícil). Do mesmo modo, a dor física foi, para alguns povos, considerada com um ritual de passagem necessário, e a dor moral como sendo necessária para a coesão do grupo. Mesmo a literatura nos trás exemplos muito interessantes de como a questão da dor, vira e mexe, reaparece no cotidiano e no inconsciente coletivo, haja vista o “Selvagem” de “Admirável mundo novo” e tantos outros personagens que, ao se depararem com uma sociedade que buscava à todo custo eliminar a dor, viam esvair-se parte de sua condição de seres humanos mortais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Feita esta breve digressão, devemos voltar à pergunta. Afinal, haveria alguma razão para a existência da dor na vida humana? Sei que, retirada de seu “&lt;i style=""&gt;habitat natural&lt;/i&gt;” da antropologia, tal questão parece anacrônica se feita nos dias atuais. Mas creio que devemos, e logo, fazer uma abordagem do tema, antes que nos analgesigemos de maneira sem volta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Nunca um grupo humano teve as condições que a humanidade, em sua sociedade ocidental pós-moderna, está prestes a ter de acabar com as dores humanas. Isso porque as físicas se ataca com analgésicos, os quais a cada dia ficam mais e mais avançados. A dor moral perde espaço a cada dia, seja pelo fim próprio da moral em si, quanto pela surgimento de uma sociedade que não é somente hedonista, mas que também vê a dor como um “problema sistêmico”, ou seja, como sendo algo que interfere diretamente na “afinação do sistema”. Uma pessoa com dores (quaisquer) perde “produtividade” e “desengraxa” a máquina. Nossas dores, desde há muito compreendidas como um mal desnecessário, passam a ser vistas também como uma ameaça ao bom funcionamento, não da máquina humana, mas da máquina produtiva universal, geradora de riqueza financeira e, por anti-humana, desconectada da possibilidade benéfica da dor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Nessa atual obsessão pela “ausência das dores” começamos a ver, justamente com o fim da dor, o fim de seu substituidor imediato: o luto e o grande crescimento que este, inevitavelmente, enseja. Veja-se que todas estas referências, de alguma base psicológica, tem uma relação direta com a condição do ser humano. A dor e a finitude da existência (e a dor que esta finitude causa) podem vir a fazer falta para o ser humano, e a idéia de um mundo livre de dores é tão assustadora quanto a de um mundo totalmente robotizado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Creio que devêssemos alterar de alguma forma nosso comportamento diante das dores da vida, do corpo e da existência. A ausência de dores jamais será a existência do prazer. A ausência das dores da existência humana mais se assemelha a um estado de letargia, em que, talvez, precisássemos ser avisados por alguém de que estamos vivos. Em um estado em que os prazeres da vida se materializam e vitrines e no qual as dores se diluiriam em mares de pílulas mágicas. Torço, enfim, para que as futuras gerações busquem, não uma ausência de dores, mas de um significado para a existência destas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;No pain, no gain.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-6396181837098365873?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/6396181837098365873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=6396181837098365873' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6396181837098365873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6396181837098365873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2007/10/o-homem-e-dor.html' title='O homem e a dor'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-6086446881310739621</id><published>2007-09-29T18:10:00.001-03:00</published><updated>2007-09-29T18:11:42.022-03:00</updated><title type='text'>Fundamentalismos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;É com enorme pesar que venho acompanhando a querela entre o vereador João Parreira de Miranda e a Secretaria Municipal de Cultura do município de Bauru, personificada no secretário municipal José Augusto Ribeiro Vinagre. Sei que para muitos munícipes tal desavença passaria sem maiores conseqüências, além das farpas políticas de costume. Mas o caso me parece criar um bom momento para que pensemos a relação que os representantes do povo têm com a coisa pública em nosso país.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Antes, é preciso que a Constituição Federal seja trazida à mesa, afinal os vereadores tem garantida sua inviolabilidade por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município. Traduzindo em miúdos, o que um vereador fala, numa tribuna, dentro de uma casa legislativa, não pode, em principio, ter conseqüências penais, afinal, ali, naquele instante, está encarnado o Representante do Povo, soberano, o qual o elegeu. Assim, o Representante fala, em tese, por todos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas, tais inviolabilidades constitucionais (prerrogativas do cargo que visam defender a democracia) não nos impedem de analisar o ponto central da discussão (retirando-se dela o caráter eventual de ilegalidade em contratos, de improvável constatação objetiva, haja vista a subjetividade da arte). Afinal: o que é arte???&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Evidentemente isso não será respondido aqui, pela simples razão de que esta questão (ao contrário do que parece imaginar o nobre vereador) não tem resposta. Pois qualquer tentativa seria tão ridícula quanto perguntar: “quem estava certo: Picasso ou Michelangelo?” Se quiserem, tentem respondê-la.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Na mesma linha, devemos nos lembrar da essência da proteção constitucional de inviolabilidade de que se vale a vereança, cuja função precípua é proteger a sociedade dos totalitarismos, censuras, protegendo assim a diversidade de idéias e expressões. É a própria liberdade de expressão que permite que vereadores discorram sobre temas acerca dos quais entendem tanto quanto a maioria da população entende de fissão nuclear à frio. Mas todos podem se expressar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Por fim, gostaria de relembrar a todos que a mesma obscuridade humana capaz de dizer que “isto é arte! Aquilo, não!” é a que pode, a qualquer instante berrar o canto fundamentalista: “este é um Deus! Aquele, não!”, ou até mesmo “esta é a verdade! O resto, não!”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Thiago Azevedo Guilherme&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;RG: 43.467.592-1&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;OAB/SP 250.301&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-6086446881310739621?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/6086446881310739621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=6086446881310739621' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6086446881310739621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/6086446881310739621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2007/09/fundamentalismos-com-enorme-pesar-que.html' title='Fundamentalismos'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-1695159505063992184</id><published>2007-06-19T01:45:00.001-03:00</published><updated>2007-06-19T01:46:42.083-03:00</updated><title type='text'>Carta aberta ao professor Mangabeira Unger</title><content type='html'>&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Prezados leitores…..&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;       &lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Amanha é a posse do Sr. Roberto Mangabeira Unger no cargo de Secretario de Planejamento de longo prazo.....seja lá o que isso quer dizer......&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;Eu na verdade resolvi postar aqui uma carta (e-mail) que enviei ao Professor Mangabeira logo após a migração deste do PDT para o recém formado PR – que depois viria a ser chamado PRB. Curiosamente, nunca recebi uma resposta.....por isso, faço desta, agora, uma carta aberta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;“Caro professor Roberto Mangabeira Unger. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Desde antes das eleições presidenciais de 2002 venho acompanhando informações sobre a sua carreira, sempre com muito respeito e admiração, afinal não são brasileiros comuns que chegam a lecionar direito em Harvard. Sou estudante de direito e sempre tive muito interesse pelas discrepâncias&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;entre os sistemas jurídicos no mundo atual. Isso me induziu a fixar a atenção no senhor pois, até onde sei, o sistema anglo-saxao de direito e de processos é um tanto incomum à maioria dos brasileiros. Somou-se à isso sua candidatura à vice-presidencia da Republica em 2002, ao lado de Ciro Gomes. Fiquei muito entusiasmado com o livro lançado por Ciro Gomes à vésperas da eleição, o qual tinha vossa apresentação e trazia idéias muito bem estruturadas. Mesmo com a derrota de Ciro no primeiro turno continuei observando-os, como um verdadeiro aluno espera compreender os enigmas dos mestres. Nunca deixei de ler sua coluna na Folha de São Paulo, em que pese ela atualmente tenha ficado um tanto quanto panfletária. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Confesso que minha primeira surpresa teve lugar no momento em que Ciro Gomes aliou-se ao então candidato Lula, visando o segundo turno das eleições. Logicamente não sabíamos (ao menos nós, mortais) que o governo Lula seria um fantoche mal costurado nas mãos dos interesses do capital internacional. Mas, pensando bem, o papel de todo líder messiânico é ser sempre um fantoche de um Deus, não é mesmo?! Não sei se esse foi o motivo da dissociação de sua imagem da de Ciro. Contudo, afirmo que eu também estava envolvido pelas esperanças do povo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Minha verdadeira surpresa se deu à exatamente 30 minutos. São 4:48 da madrugada de quinta-feira para sexta feira, e minha mãe acaba de me informar que o senhor “migrou” para o recém fundado PMR (Partido Municipalista Renovador) e que em breve se chamará PR (Partido Republicano). Não tenho o hábito de enviar e-mails, entretanto, fiquei tão abismado com a noticia que não me contive.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não vejo empecilho algum que vossa senhoria se mude do PDT. O que me causa uma súbita prostração é o fato de o senhor se vincular com pessoas oriundas da famigerada Igreja Universal do Reino de Deus. O que este partido pode oferecer-lhe? Como o senhor não se sente incomodado (no papel de filosofo e pensador politico) ao ver sua imagem aliada a de pessoas sem qualquer plano político que não uma voracidade moral reacionária aliada a uma teologia barata sucedânea tupiniquim das catarses coletivas de momentos autoritários da história?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Aguardo ansiosamente um contato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Respeitavelmente, um eleitor em potencial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Thiago Azevedo Guilherme&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;R.G. 43.467.5XX-XX&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;Rua Bandeirantes X-XX, ap XXX centro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Xxxxx, SP, Brasil.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-1695159505063992184?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/1695159505063992184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=1695159505063992184' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/1695159505063992184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/1695159505063992184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2007/06/carta-aberta-ao-professor-mangabeira.html' title='Carta aberta ao professor Mangabeira Unger'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-8604020110720098310</id><published>2007-06-19T01:22:00.000-03:00</published><updated>2007-06-19T01:29:19.008-03:00</updated><title type='text'>Um reino de incertezas acima de nossos pescoços.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Primeiramente gostaria de pedir sinceras desculpas a meus parcos leitores por minha ausência nestes dois anos durante os quais me mantive longe das letras e das opiniões. Os motivos, se é que sou capaz de compreendê-los, não são a razão de ser deste texto, o qual busca menos a autobiografia (se isso é possível) do que o restante de minha, até agora, curta obra argumentativa. Espero que este pedido seja aceito de bom grado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O motivo crucial de meu retorno é um só: minha vaidade volta a aflorar-se, possibilitando minhas opiniões. Entendam-me que não espero que estas sejam acatadas e repetidas. Falo aqui apenas da coragem de expô-las, trazê-las a público, perdendo assim o medo do julgamento alheio e da negação totalitária. Mas, como deve sempre ser, um motivo mais especifico e direto me traz uma vez mais ao cyberspaco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Esse dias passados, durante uma madrugada modorrenta e, graças ao universo, criativa, deparei-me com um programa madrugadoiro que lançava uma questão a seus tele-expectadores: “Que tipo de mente á e do pedófilo: Doentia ou Criminosa”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A questão é, para aqueles que a levam a sério, extremamente espinhosa. Confesso que durante meus estudos jurídicos, em momentos de contestação muda da teoria da pena, fiz a mim mesmo diversas vezes a mesma questão. À época não pude respondê-la. Mais por incapacidade concatenante do que falta de tentativa. Afirmo que buscava entender essa diferença, que se mostra tão irrelevante na medicina comum e diária, mas extremamente desprovida de argumentos justos em uma análise mais acurada diante dos preceitos da filosofia do direito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A dificuldade da questão calou minha mente por muito tempo. Anos depois, por intermédio da leitura de uma obra magnífica, a resposta surgiu (não por meus méritos, mas pela ajuda do autor da obra, ao qual aqui manifesto minha admiração e, por que não, devoção, por sua clareza de pensamento).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não se pode, nem nunca se pode, falar de doenças psíquicas, crimes, perversões, anomalias de caráter, e tudo que a isso se liga, sem que houvesse um desenho muito nítido e desejado do que chamamos “homem normal”. A este o Direito convencionou chamar “sujeito”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A história do sujeito se confunde com a história da filosofia, da psicologia, da antropologia, da biologia e de todas as formas de estudo cientifico que, hoje – e por enquanto – convencionou-se chamar ciências. A bem da verdade, tanto a historia do sujeito, quanto a historia de suas anomalias e doenças, bem como das instituições criadas para auferir e averiguar as deformações estão, inevitavelmente, ligadas. Isso porque, simplesmente, há e sempre houve uma noção do normal e do anormal em todas as sociedades do mundo. No caso específico dos criminosos ou doentios, ambos estão dentro de um conceito, qual seja, o do anormal. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Como todo estudante de colegial deveria saber, a conceituação social dentro do anormal ou normal tem, necessariamente duas vertentes (e aqui não se fala de predominância de uma ou outra, mas tão somente de suas ocorrências). Existem fatores endógenos e exógenos na construção da mentalidade humana. Esta questão, ainda mais espinhosa que a primeira, acaba por diluir-se ao assumirmos suas existência, cada uma relativa a seu campo, os quais não nos cabe definir ou delimitar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Contudo, quando no fim da idade media (por um processo longo, demorado, com inúmeras nuances políticas e cheio de falsas afirmações opinativas) chegamos a um centro de construção do homem enquanto ser humano, um critério passa a regê-lo. A este critério damos o nome de vontade. Vejamos bem que a nossa noção de vontade, fundamental na distinção entre um criminoso e um doente, é extremamente recente na historia humana, e, até que se prove o contrário, desde Nietszche, marcha em alta velocidade para um fim trágico. Esta noção de vontade talvez seja herdada direta ou indiretamente dos próprios valores cristão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A partir dessa definição do homem enquanto ser que pode expressar e explicar suas vontades, começa a se diluir a noção de que todo ato anormal deva ser combatido como pecado ou afronta indesculpável contra o todo coletivo. A vontade entra no centro do jogo. E é a partir daí que começamos a dividir a vontade consciente, controlável e formada por inúmeros processos que não se assemelham a moléstias físicas, das vontades incontroláveis, obsessivas e, necessariamente, impulsivas, às quais os agente – sujeito – não poderia dar combate.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Pois bem. Esse universo que coloca a vontade como ordenadora do mundo, infelizmente, já não mais existe. E alguns de seus algozes foram Freud, Nietzsche, Lacan, Iung, e todos aqueles, filósofos, psicólogos ou teóricos da mente humana que perceberam que, a vontade em si mesma, e ainda que compreendida como fiel da balança da condição humana, tem um processo de formação que, muitas vezes escapa aos domínios da mente do agente, o que, por destruição encadeada, elimina sua punibilidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Feito esse apanhado histórico, voltemos a pergunta do programa: O pedófilo é um criminoso ou um doente? Ainda que a pergunta seja em si mesma absurda, afinal fazem uma pergunta genérica que busca uma resposta genérica (o que a meu ver é preconceituoso, desprovido de rigor técnico, e pode levar às mesmas conclusões nefastas de toda generalização). A pergunta deveria ser: “fulano de tal, que cometeu atos de pedofilia, é um criminoso ou um doente?” Aí, se avaliaria a condição do agente no momento em que o praticava. Essa tarefa é extremamente problemática, pois deverão debruçar-se sobre o infrator da norma especialistas nas mais diversas áreas do conhecimento humano, buscando, a partir da análise dos fatos e da mente infratora, dispor uma série de argumentos a fim de convencer o juiz (e a nós mesmos) de que aquele agente era, ou um criminoso, ou um doente. Trata-se, no fundo, não de uma busca da verdade (afinal, será que esta existe nesse caso??), mas de um exercício de convencimento, tanto do julgador, como de toda sociedade, numa tentativa, cada vez mais frustrante, de se buscar uma linha divisória entre a doença e a saúde e o bem e o mal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-8604020110720098310?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/8604020110720098310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=8604020110720098310' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/8604020110720098310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/8604020110720098310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2007/06/um-reino-de-incertezas-acima-de-nossos.html' title='Um reino de incertezas acima de nossos pescoços.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-113919202051397855</id><published>2006-02-06T00:12:00.000-02:00</published><updated>2006-10-09T16:48:29.896-03:00</updated><title type='text'>Religião e veneno.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Olá. Após aproximadamente um mês longe deste blog resolvi aparecer. Na verdade me senti impelido a retornar ao meu computador para dividir algumas idéias com meus leitores. A criatividade andava escassa. Devia estar em férias. Mas as circunstâncias me trouxeram de volta. Em verdade, dois fatos ocorridos nos últimos dias atraíram minha atenção e a conseqüente vaidade presente em todos que acreditam (estupidamente, talvez) que têm alguma coisa a dizer. Então, cá estou...&lt;br /&gt;A fim de solucionar antecipadamente eventuais dúvidas faz-se preponderante que eu diga o motivo de meu interesse sobre o tema. Quando de minha graduação (mais precisamente há quatro meses) tive o enorme prazer de escrever uma monografia (boazinha, diga-se de passagem) sobre a Liberdade Religiosa, principio garantido pela constituição brasileira e fundamento inafastável do Estado Democrático de Direito em que vivemos. Com esta experiência, acabei por ter um contato muito maior com a teologia e meu interesse pelas religiões e suas conseqüências – e sua inevitável relação com o direito – aumentou muito. Portanto acabo atentando-me muito mais à estes assuntos.&lt;br /&gt;Os dois temas que acabaram por sugar minha normalmente dissipada atenção foram, respectivamente, a reação às caricaturas do jornal dinamarquês Jyllands-Posten e uma pequena nota veiculada no jornal Folha de São Paulo sobre traficantes no Rio de Janeiro. As duas noticias são aparentemente desvinculadas uma da outra por completo. Contudo um liame divino as une.&lt;br /&gt;Quem teve acesso aos meios de informação na última semana pôde ver a reação do mundo islâmico às caricaturas de personagens do Alcorão. Em que pese o relativo mal gosto do desenhista (um mal gosto hilariante, mas mal gosto), jornais de toda Europa, uma vez iniciados os protestos no oriente médio, publicaram maciçamente os desenhos numa espécie de “cruzada” pela liberdade de imprensa. Como todo bom ciclo de revolta, as novas publicações geraram mais e mais protestos, num círculo vicioso que pelo jeito ainda não arrefeceu. Como se sabe, os muçulmanos são um tanto quanto suscetíveis à reproduções pictográficas de seus ícones religiosos numa tentativa de impedir a idolatria (sic!!!!!). A partir das publicações os dinamarqueses foram promovidos a inimigos universais de Allá além de tornarem-se destinatários da mais terrível ofensa do mundo islâmico (tiveram sua bandeira pisoteada em praça pública (sic!!! de novo).&lt;br /&gt;Quando do inicio da “guerra contra o terror” de Bush, creio eu que muitos de nós ficaram assustados com o mecanismo de guerra e com o &lt;em&gt;modus operandi&lt;/em&gt; do estereotipo do terrorista islâmico. Afinal, como vencer um inimigo que aceita a mais óbvia das derrotas: a morte. Pela lógica ocidental vence-se uma guerra também através do número de baixas do inimigo. Este raciocínio não funciona quando aplicado contra o combatente terrorista suicida. Se ele morrer não perde...quando muito empata (se não levar nenhum de nós com ele). Assim estávamos fadados à derrota cedo ou tarde. Pensei desta maneira por quatro anos e cinco meses. Esta semana vi que o ocidente não perderá jamais a guerra contra o fundamentalismo. Se as armas ocidentais não podem matar quem já está morto, temos outra arma que pode fazer soçobrar toda a (des)razão extremista: o humor. Pois, como disse certa vez Mario Prata ou Millor - nao sei ao certo: “o humor é a quintessência da inteligência”. Nosso senso de humor – uma ferramenta indispensável na evolução de nossas sociedades – talvez torne-se a única coisa que nos impeça de, algum dia, combatermos o extremismo islâmico com algum outro tipo de extremismo, seja qual for.&lt;br /&gt;Quanto ao outro tema por mim percebido, trata-se da tal matéria jornalística sobre os traficantes evangélicos (sic de novo, ai ai, ai!!!) das favelas cariocas. Segundo a Folha, traficantes de drogas ligados a denominações evangélicas dos morros do Rio de Janeiro estariam perseguindo terreiros de religiões afro-brasileiras como Umbanda e Candomblé . Por mais absurdo que pareça, ao que tudo indica é verdade.&lt;br /&gt;Como sabemos, a grande maioria das denominações neo-pentecostais (auto denominadas evangélicas) associam as religiões afro-brasileiras a demônios (para tirar a dúvida basta assistir a um programa da Igreja Universal da Rede Record e ver o “exorcismo” de pomba-gira e do exu-caveira). Também sabemos que a aceitação dessas denominações vem se tornando cada vez maior nas áreas das periferias das grandes cidades (mas também entre a classe media). Eis aqui um motivo plausível para esta estranha mistura de atos e fatos.&lt;br /&gt;O discurso, ora entendido como retórica, das pregações neo-pentecostais carrega em si um maniqueísmo que assusta ao primeiro olhar. Ofende de tão simplista que é. Esta retórica liga todas as mazelas de um povo a encarnações do “mal” que são personificadas nos personagens, como já dito, de religiões afro-brasileiras. O “bem” se liga à Jesus Cristo, compreendido literalmente como um salvador da pátria. Ademais, ocorre uma cisão entre “nós” (o bem) e “eles” (o mal). Para a lógica desse “nós” e “eles” não interessa quem somos nós, afinal, se eu crer em Jesus Cristo com toda fé do mundo terei a salvação e o perdão de meus pecados. Portanto, crendo em Jesus estou livre para pecar, conquanto que me arrependa a tempo. Além disso, há uma mórbida significância na leitura que estas seitas fazem da figura de Jesus. Todo o tempo é sublinhado pelos pastores que Jesus deu a vida por nós, pecadores. Assim, Jesus tornou-se pop no pós-vida por ter se tornado um mártir que morreu pelo seu povo. E na cabeça de um jovem traficante de drogas do Rio que mergulha de cabeça nestas seitas, parecer um cristo é muito tentador. Nada mais interessante para um adolescente sem horizontes que, do dia pra noite, ter tudo: dinheiro, fama e mulheres. Aliás, devemos lembrar que o sucesso material e financeiro é uma constante nos discursos dos pastores dessas Igrejas.&lt;br /&gt;Pois bem. No dia em que apresentei minha monografia, fui perguntado por um de meus professores se eu acreditava que conflitos religiosos pudessem ocorrer no Brasil. E a mesma resposta repito agora. Conflitos religiosos costumam ser conseqüências ou reflexos de conflitos sociais. De tal maneira que a identificação do tráfico de drogas (e seu perigoso catalisador: a cocaína) com as Igrejas evangélicas, e sua descabida e inesperada ofensiva à identidade negra (será que vão proibir o carnaval e o samba?!?!?!) pode ser o inicio de uma ideologização do crime organizado no Brasil. E isso torna as coisas muitíssimo mais perigosas.&lt;br /&gt;E para finalizar, só tenho a dizer que a razão posta de lado gera frutos podres por muito tempo. Uma espécie de paranóia une os muçulmanos rebeldes e os evangélicos traficantes, a qual deve ser combatida com educação e razão. Estes são os únicos remédios. Afinal, que os mártires fiquem no Oriente Médio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-113919202051397855?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/113919202051397855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=113919202051397855' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113919202051397855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113919202051397855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2006/02/religio-e-veneno.html' title='Religião e veneno.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-113647689160204326</id><published>2006-01-05T13:55:00.000-02:00</published><updated>2006-01-05T14:01:31.616-02:00</updated><title type='text'>As liberdades civis sob vigilância</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;           Após os atentados de 11 de setembro de 2001 muita coisa mudou no mundo. Disso sabemos. Minutos após o impacto do primeiro avião na torre o inconsciente coletivo mundial já sabia que nosso planeta estava passando por um momento daqueles que dividem eras, como foi a Queda da Bastilha ou a Tomada de Constantinopla pelos Otomanos. São momentos aos quais a história se encarrega de dar títulos e alcunhas e que separam o antes do depois. Quando ainda hoje abrimos os jornais podemos sentir pipocando aqui e ali reflexos daqueles 102 minutos: a inflação que não cede influenciada pelo preço do petróleo, homens bomba se explodindo nos arredores de Bagdá, Saddam Hussein virando-se para Meca e fazendo suas preces no meio de seu julgamento, a falácia do sucesso do governo pró-EUA no Afeganistão, enfim, uma reação em cadeia que aos mais desavisados pode parecer desprovida de significado histórico. Pois nesta semana duas novas noticias que podem ser compreendidas como novas pedras caídas desse dominó infinito chegaram às redações das agências de noticias internacionais e induziram, senão novos questionamentos – porque ninguém agüenta mais questionar nada – ao menos um reforço das conclusões que os mais atentos vêm tendo desde aquela manhã em 2001.&lt;br /&gt;            A primeira noticia foi o vazamento da informação de que o presidente americano Bush havia dado ordens para que a NSA – National Security Agency – espionasse cidadãos americanos utilizando-se de meios eletrônicos como escutas telefônicas e vigilância eletrônica de e-mails. Segundo algumas fontes, informaram jornais americanos como o New York Times, o grau da espionagem teria atingido níveis orwellianos, chegando-se a vigilância de palavras chave em e-mails, fonemas ditos ao telefone e até mesmo registro de retiradas de livros em bibliotecas e o tráfego na Internet monitorado através da visita a alguns sites padrão (quem não viu, alugue “Teoria da Conspiração”, filme de 1997 estrelado por Mel Gibson e Julia Roberts, e saberá do que estou falando). Como era de se esperar o presidente Bush correu em afirmar que, havia dado sim a ordem para observações remotas, mas estas se destinariam somente a pessoas com notório envolvimento com a Al-Qaeda, visando a prevenção de atividades terroristas. Em conseqüência, e provavelmente por medo da contaminação pelos péssimos índices de popularidade do presidente Bush, o Senado americano reprovou a reedição do Patriotic Act, medida de restrição de direitos civis adotada após os atentados e que visavam evitar novos ataques em solo americano. No discurso da maioria vencedora estava presente a afirmação de que o ato acertava em cheio o núcleo da sociedade americana, atingindo a todos os cidadãos em seus direitos e liberdades civis.&lt;br /&gt;            A outra noticia que ameaça por em xeque as liberdades civis veio quase que do outro lado do mundo. A Duma – câmara baixa do parlamento russo – aprovou uma lei que restringe a liberdade da organizações da sociedade civil de interesse publico, mais comumente conhecidas como ONG’s. A medida causou receios entre membros de ONG’s internacionais com participação na Rússia, principalmente pela herança de controle estatal centralizado que quinze anos de democracia não conseguiram desfazer. Além disso, o controle estatal das organizações civis deixa qualquer movimento social organizado de mãos amarradas e acaba por impedir um processo político dialético com os grupos que atualmente se encontram no poder, denotando uma nova Stalinizacao do Estado Russo, que só consegue se relacionar com a sociedade controlando-a, como um pai que não aceita ver sua prole ganhar a liberdade. Não que o controle da sociedade civil na Rússia tenha relação imediata com o 11 de setembro. O que acontece é que uma das razoes dadas pelo governo russo é também o controle de grupos que pudessem ter relações com terroristas, no caso deles, os da Chechênia.&lt;br /&gt;            Esses movimentos, aliados as restrições civis na França após as revoltas das periferias, denotam um momento de frustração velada da sociedade organizada nos moldes ocidentais. O fim da guerra fria parecia ter trazido uma era de liberdade, afastando o fantasma nuclear, e anunciando uma paz universal duradoura. Tudo foi assim até aquele 11 de setembro. Em verdade, o “instante” entre a queda do muro de Berlin e o 11 de setembro de 2001 já trazia mesclado aos idéias de paz eterna um tremendo mal estar que ninguém sabia explicar de onde vinha. Hoje já sabemos que uma sociedade civil realmente livre da observação do Estado é conto da carochinha. Ainda mais com a tecnologia que reduziu os custos de vigilância ao extremo. E a falta de inimigos claros sempre induz a criação de inimigos imaginários, o que pode levar nossa sociedade a um estado de esquizofrenia coletiva bastante curioso.  É nesse clima de Big Brother que desejo aos meus parcos mas fiéis leitores um ano novo cheio de idéias e coragem para realizá-las, sempre levando estampado no rosto um sorriso pois, afinal, estamos todos sendo filmados... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-113647689160204326?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/113647689160204326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=113647689160204326' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113647689160204326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113647689160204326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2006/01/as-liberdades-civis-sob-vigilncia.html' title='As liberdades civis sob vigilância'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-113476694516912748</id><published>2005-12-16T19:00:00.000-02:00</published><updated>2005-12-16T19:02:25.180-02:00</updated><title type='text'>Para Lennon e MacCartney</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Na semana passada o assassinato de John Lennon, morto pelo fã desequilibrado Mark Chapman, completou 25 anos. O jornais transmitiram matérias especiais sobre o acontecimento, alguns canais veicularam documentários sobre a vida do ex-beatle, sobre seu relacionamento com Yoko Ono, sobre sua relação conturbada com Paul McCartney, enfim, sobre a vida, obra e morte deste homem que foi comparado a Ghandi em seus últimos anos de vida. E era o mínimo que se podia esperar para tal data. Como todos os anos, uma multidão de fãs passou em frente ao Edifício Dakota, cenário daquele fatídico 8 de dezembro. Flores foram deixadas e jovens caminharam por sobre a inscrição “imagine” que se encontra na calçada do Central Park, do outro lado da rua. Viu-se assim que o mito “John Lennon” ainda sobrevive, talvez pela conveniência de sua mensagem pacifista nos dias atuais, talvez pela anistia conferida àqueles que se consagram como mitos.  &lt;br /&gt;            Entretanto...qual a verdadeira dimensão da obra deste homem que teve sua vida abreviada em decorrência da aliança entre sua notoriedade e a insanidade alheia? O que fez um astro começar a pregar tão veementemente um distanciamento pacífico justamente do sistema do qual os Beatles eram produto?&lt;br /&gt;            Em primeiro lugar devemos deixar claro que os Beatles foram e sempre serão os únicos Beatles, assim como Pelé é Pelé, como Platão foi Platão, como Napoleão foi Napoleão. São inresumíveis, únicos, fenômenos (literalmente, pois são frutos de combinações imprevisíveis entre os indivíduos e o momento), são paradigmas, e, como conseqüência, acabam por se tornar seres míticos, que extrapolam nossa racionalidade. Os Beatles aglutinaram em si (tornando-se causa e efeito) uma quantidade assombrosa de mudanças  comportamentais e de pensamento na sociedade, sendo o estopim para um ataque ao establishment da histeria e da postura de meninas de família, mas sendo também um produto muito bem trabalhado da indústria cultural e de comunicação de massa. Ressalte-se que o fato de serem um produto não faz deles uma farsa, afinal foram os primeiros, e eram bons mesmo no que faziam. Mas, enquanto produto, eram fruto de todo um sistema, ao qual Lennon dedicou a parte insabidamente final de sua vida a questionar. Meio Jekil e Hyde mesmo.&lt;br /&gt;            Lennon fez com que os Beatles se acabassem, diligentemente auxiliado por Yoko e pelos egos inflados dos companheiros de banda. É notória a desavença entre Lennon e McCartney após o fim do grupo. Eles se alfinetavam publicamente, sem medo. O engraçado é ver as letras de John Lennon em sua fase solo e perceber que não condiziam com a postura que mantia diante dos ex-companheiros. Também é evidente a queda na qualidade das músicas de Lennon nessa mesma fase. Musicalmente Lennon não era tão Lennon sem o Beatles.&lt;br /&gt;            A personalidade de John Lennon fica ainda mais enevoada quando observamos uma de suas mais famosas canções na fase “Yokoholic” de sua breve vida: “Imagine”, a mesma palavra da calçada do Central Park e que ficou imortalizada pelo piano branco de Lennon. Trata-se de uma canção interessante que toca o coração de quem houve por tratar de assuntos que respondem a necessidades e anseios do ser humano. Mas a música propõe uma busca da paz por uma via de negação de tudo que existe. Na letra, Lennon imagina um mundo sem paraísos, sem inferno, sem países, sem religiões, sem ideais, imagina uma vida focada no aqui e agora. Mais paz e amor impossível. Isso, vindo de uma pessoa que fez fortuna às custas de uma imagem criada pela indústria e pelo sistema acaba parecendo má-fé.  Ou então, o que é mais provável, um surto pacifista induzido por opiáceos (eu to falando de heroína). A política de negação de tudo de Lennon, juntada à proposta de ficar numa cama o tempo todo é egoísta. Teve ressonância porque ele era John Lennon. Senão seria tratada como atitude de um lunático. Eu ouço os Beatles, gosto deles, são geniais, mas daí a enxergar nas palavras de Lennon algo mais do que boa música, pra mim é um pouco muito. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-113476694516912748?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/113476694516912748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=113476694516912748' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113476694516912748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113476694516912748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2005/12/para-lennon-e-maccartney.html' title='Para Lennon e MacCartney'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-113355199091410491</id><published>2005-12-02T16:35:00.000-02:00</published><updated>2005-12-02T17:33:14.286-02:00</updated><title type='text'>Confissões secretas da Iminência parda....</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;       Atravancado no trânsito de Sao Paulo na tarde de ontem, sob um sol de 30 graus tive o prazer e todo o tempo do mundo para ouvir do começo ao fim a entrevista coletiva convocada pelo agora ex-deputado José Dirceu. É interessante notar como algumas pessoas tem o dom de, mesmo quando odiadas, conquistar a simpatia daqueles que odeiam. Assim nosso ex-primeiro ministro conduziu toda a entrevista, pedindo desculpas por sua relação eternamente conturbada com a imprensa e sendo simpático até com repórteres de veículos de comunicação notoriamentes combativos ao governo (Si hay gobierno, ellos son contra...). Quem esperava rancor, encontrou uma quase diabólica resignação bem humorada, digna daqueles que escondem o zap na manga ou, no mínimo, dos que não confirmam o que sabem, mas querem que isso seja notado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;        Passada a degola (porque, ainda que merecida, tudo não passou de uma degola política mesmo..) e estando o senhor Dirceu já fora do tabuleiro - ao menos do tabuleiro visível - torna-se interessante uma observação um pouco mais acurada às suas falas e discursos, bem como de sua reconhecida inaptidão para a arte gramatical e luzófona em geral, o que, aliás, é uma constante no governo do presidente Lula. Primeiramente é de se notar o fato de José Dirceu ter um grave problema com o "problema". Quem alguma vez teve a sorte de ver Dirceu pronunciar corretamente a palavra "problema" pode desistir de ganhar na loteria até a próxima encarnação!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;        Jocosidades à parte, duas passagens presentes na fala de José Dirceu lançam uma suave luz sobre todas as incertezas e dúvidas acerca do que se passou na mente desses que assumiram formalmente poder em janeiro de 2003. À certa altura da entrevista Dirceu foi inquirido por um repórter sobre a visão aparentemente maquiavélica que o PT e seu alto escalão teriam do ato de governar, numa alusão à idéia de que os fins justificariam os meios. Dirceu negou veementemente. Entretanto minutos depois fez a infeliz comparação entre a Igreja Católica e o PT (dizendo que se até a Igreja Católica errou na inquisição, por que não poderia o PT errar também????). É evidente que o raciocínio de Dirceu tem lógica. Niguém nega a inteligência presente naquela cabeça. Mas a comparação de um partido político à uma instituição religiosa contradiz fundamentalmente a primeira afirmação de José Dirceu. Se o governo via na missão do PT algo comparável a uma missão religiosa, tudo seria possível e aceitável. A missão lhes teria sido concedida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;        Uma outra passagem curiosa da entrevista foi a negação de Dirceu à impressão que todos tinham de que ele recorria ao Supremo Tribunal Federal com interesses somente protelatórios. Na hora de argumentar sobre a necessidade de tantos recursos, Dirceu afirmou que apenas defendia seus interesses e seus direitos individuais. Mas deixou escapar: "direitos individuais burgueses, mas  direitos individuais". Vejam só!!!!!!  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;        Quando somamos a visão messiânica de si mesmo com a rotulação de seus direitos individuais de "burgueses, mas direitos" é que começamos a ter noção da cabeça de nosso ex-deputado e ex-ministro. Junte-se à isso uma defesa incansável da política econômica do ministro Palocci. Não sou economista, mas que um crítico da filosofia e da ética ocidental burguesas defenda essa política, confunde até o Papa (que talvez, para Dirceu, seja filiado do PT).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;        Juntando tudo, temos: Um homem que confunde partido político com religião (e não é o Edir Macedo nem o José Alencar). Que rotula seus próprios direitos de "burgueses" evidenciando a fragilidade mesmo de nosso Estado quando em mãos erradas. Um pseudo-Marxista que defende o Mercado...Esse é o senhor José Dirceu.....aquele que queria ser Rasputin.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-113355199091410491?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/113355199091410491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=113355199091410491' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113355199091410491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113355199091410491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2005/12/confisses-secretas-da-iminncia-parda.html' title='Confissões secretas da Iminência parda....'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-113316189936299013</id><published>2005-11-28T05:10:00.000-02:00</published><updated>2005-11-28T05:11:39.376-02:00</updated><title type='text'>Um historia bem real.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Há algumas semanas, em meio às noticias dos corriqueiros homens-bomba no Iraque e em Brasília, fomos surpreendidos por uma série de episódios ocorridos em Paris e suas redondezas com ecos em paises vizinhos do velho mundo. Essa revolta das periferias que em muito se distancia dos episódios de maio de sessenta e oito foi noticiada mundo afora e por inúmeras vezes explicada, destrinchada e analisada. Em verdade estou atrasado ao dar minha humilde contribuição com 10 ou 15 dias de demora, mas não o havia feito antes por sentir uma sincera incapacidade de compreender tais acontecimentos. Ainda não me julgo capaz de inseri-los em alguma lógica fechada dentro da cabeça, mas algo me ocorreu ao rever um filme excelente do português Manoel de Oliveira (sinceramente, para mim, até então um desconhecido, com o perdão dos cinéfilos).&lt;br /&gt;            Trata-se de “Um filme falado”, produção luza que conta a historia de uma jovem mãe que viaja com sua filhinha desde Lisboa tendo como destino Bombaim, de navio atravessando todo o mediterrâneo, com o objetivo de encontrar o pai da criança no porto de destino. Utilizando-se deste enredo o diretor, através das palavras da mãe, narra dois mil anos de historia e filosofia ocidental sempre tendo como pano de fundo a grande estrada que foi esse mar, imprescindível à nossa autocompreenção histórica,  desde a antiga Grécia, passando pelo Império Português e as Navegações. Com grande zelo o diretor nos guia até um estranho clímax, em que somos obrigados a ver as semelhanças do ocidente e suas distancias reais do oriente próximo. Perdoe-me o leitor que aprecie a critica cinematográfica menos explicita, mas faz-se necessária incursões mais serias dentro do filme em si. Em uma das irrotuláveis tomadas do filme, estão sentadas à mesa pessoas de cinco paises diferentes: um americano, comandante do Navio (John Malkovich), uma cantora Grega (Irene Papas), uma empresaria francesa (Brigite Bardot), e uma atriz italiana. Em uma metáfora irretocável, curiosamente ninguém à mesa fala a mesma língua, contudo, todos se entendem perfeitamente. À estes personagens se junta a senhorita portuguesa, a qual compreende-os também. É quando recebem a noticia de que há uma bomba à bordo, a qual teria sido plantada por terroristas islâmicos quando da passagem pelo Egito, em Suez. Ao fugirem para os barcos, a pequena garotinha portuguesa agarra sua pequena boneca muçulmana, em trajes típicos (uma espécie de Barbie árabe) e lhe promete cuidar e impedir que qualquer mal à ocorra. Então vêm a tragédia.&lt;br /&gt;            Confesso que saí do cinema atordoado, sem eficazmente assimilar todo conteúdo daquela jura de fidelidade da menina, à sua indefesa boneca muçulmana. Em uma cena tão simples, o diretor de 94 anos sintetiza todo mal estar decorrente da falência das tutelas ocidentais sobre os islâmicos em geral, para não dizer com todos os frutos e filhos do colonialismo. Mas após a queima total de estoque das montadoras francesas, pude enxergar esse sentido em tão bem amarrada trama.&lt;br /&gt;            É evidente que muitos já falaram que “caluniosamente, parte da imprensa teria ligado a revolta parisiense aos árabes”, enquanto que tantos outros chegaram a chamar o movimento de “Intifada Européia”. Vê-se que não há um consenso. Não quero parecer presunçoso ao dar um palpite, mas me parece que temos elementos de todos os cantos. É possível que estejamos tendo na Europa antes de mais nada uma revolta dos netos dos fluxos migratórios coloniais. Como grande parte das colônias eram árabes, o obvio aconteceu. Duzentos anos depois, a República Francesa não pode mais suportar a ebulição étnica interna, que atingiu sua massa critica. O sistema filosófico-racional e o modelo de governo não foram capazes de cuidar das proles coloniais, justamente por que lá atrás no tempo tratou-as como a menina trata a boneca, e agora já não pode suportar o rojão, relegando-os à uma marginalização inevitável.  Mas ou menos como o pai que mima o filho e depois deixa-o sem mesada. Problemas aparecem. À isso creio somar-se um momento de questionamento planetário da eficácia da racionalidade ocidental, já despida de ilusões marxistas. Assim sentimos o  mal estar causado pelo filme, sem conseguir deixar de ver o mesmo mal estar à nossa volta. Aos que aceitarem minha indicação, assistam ao filme duas vezes, intercaladas por uma breve leitura do desenrolar dos acontecimentos em Paris e redondezas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-113316189936299013?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/113316189936299013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=113316189936299013' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113316189936299013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113316189936299013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2005/11/um-historia-bem-real.html' title='Um historia bem real.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-113081956421988599</id><published>2005-11-01T02:31:00.000-02:00</published><updated>2005-11-01T02:55:34.396-02:00</updated><title type='text'>ME FUZILEM....NAO CREIO NA DEMOCRACIA...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Passados oito dias desde o referendo e baixada a poeira, sinto-me na obrigação de opinar sobre um assunto que veio à tona após essa burrada do governo. Estão querendo generalizar a possibilidade de realização de referendos no Brasil. Dizem que seria uma maneira de colocar o povo em contato mais direto com as decisões tomadas pelos governos, em outras palavras, de tornar a democracia mais participativa e menos representativa. Quem dera fosse assim. Quem leu meu último texto sabe do que eu estou falando. Desta forma, foi em boa hora que o jornal “Folha de São Paulo” publicou no último sábado (29 de outubro) em sua pagina A3 um debate que versava justamente sobre o tema. Quem preferir pode buscar o jornal e lê-lo. O original é sempre melhor. Assim mesmo, deixo neste humilde espaço uma manifestação de apoio ao senhor Denis Lerrer Rosenfield fazendo, contudo, uma ressalva acerca de um ponto.&lt;br /&gt;Não acredito, sinceramente, que tenhamos uma democracia no Brasil. Para que se tenha uma verdadeira democracia é preciso consciência de nação, de pertencimento a um povo. De identificação cultural. No Brasil estamos o tempo todo tentando salvar o próprio pescoço, não há projeto de pais. E quando não há projeto de país, não há democracia. O infame mensalão é a materialização política do “pimenta no %$ dos outros é refresco”.&lt;br /&gt;Mas imaginemos o que aconteceria se resolvêssemos acabar com o Congresso Nacional e votássemos tudo através de referendos. Imaginem a população ribeirinha semi-analfabeta do nordeste votando sobre o pagamento ou não da dívida externa???? Os que não fossem convencidos pelo padre da Igreja do “Padim Ciço” seriam pelo capanga do “coroné”. Eu sei que soa trágico, elitista e arrogante, mas é assim que funciona e quem nega o faz por não querem enxergar...ou por querer endeusar a ignorancia messiânica "a la Lula". Ou seja, ruim com eles, pior sem eles...Estaríamos o tempo todo à mercê da Globo e da Igreja, Universal e Católica...(imaginem um referendo sobre o aborto?????). Democracia de verdade só se faz com educação, com criança 8 horas por dia na escola e com professor que faz concurso (concorridíssimo devido ao salário) pra ser efetivado no cargo. E só vai surtir efeito daqui a dez anos. Até lá, dá-lhe referendo. Depois a gente corre atrás do prejuízo.&lt;br /&gt;Mas, discordo do texto do senhor Rosenfield num ponto. Acho que se em 20 ou 30 anos conseguíssemos realmente parar de fingir que criança brasileira estuda e realmente ensinar a molecada a pensar, não haveria mal algum em fazer uso de uma democracia mais participativa e sem intermediários (mas a gente sabe que educação não da votos imediatos, como um túnel gigante de baixo de uma avenida gigantesca de São Paulo). A comunicação digital criou um mundo de possibilidades que vão desde fóruns de discussão na Internet até a criação de sociedades políticas virtuais. Pessoas com mesmos objetivos sociais e políticos se cruzam em sites de relacionamento tipo Orkut. A discussão política verdadeira surge aí. A Internet é uma ferramenta para as pessoas pensantes (embora seja um aparato de alienação para o ignorante). Se educarmos as pessoas, elas usarão a faca pra cortar comida e não pra enfiar no peito do colega de sala. Obviamente essa democracia que queremos não é a democracia maniqueísta que divido o mundo em preto e branco, bom e mal, capitalista e comunista; mas uma democracia feita por pessoas esclarecidas e que julguem as idéias pela sua capacidade de trazer benefícios às populações e não por contrariarem as vontades de Deus ou da “Revolução que está chegando”.&lt;br /&gt;Engraçado como às vezes eu me acho anti-democrático... Muito obrigado e até breve.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-113081956421988599?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/113081956421988599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=113081956421988599' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113081956421988599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113081956421988599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2005/11/me-fuzilemnao-creio-na-democracia.html' title='ME FUZILEM....NAO CREIO NA DEMOCRACIA...'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-113009621080642587</id><published>2005-10-23T17:35:00.000-02:00</published><updated>2005-11-01T02:56:06.516-02:00</updated><title type='text'>VOX POPULI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acabo de chegar em casa. Fui votar nesse referendo estranho. Alguém se lembra de outro referendo? Eu lembro do plebiscito em 1992. Mas referendo, não. Muito menos de um “referendo” estranho assim.&lt;br /&gt;Mas eu não vou entrar no tema da venda ou não de armas de fogo no Brasil. Trata-se de uma postura ideológica de cada individuo. Eu tenho a minha. Não quero convencer ninguém. Na verdade o que me deixa inquieto nessa história toda (além dos R$500.000.000,00 gastos na organização da votação) é o momento em que isso acontece. Sabemos que não foi um subterfúgio político, uma cortina de fumaça, afinal esse referendo já estava marcado desde o governo Fernando Henrique. Mas mesmo assim fica a insossa sensação de inutilidade.&lt;br /&gt;O governo do PT foi uma “broxada” sem precedentes para o povo brasileiro, para a política brasileira, enfim, pra tudo que foi, é, ou um dia venha a ser brasileiro. E no meio deste coito-interrompido somos convocados a participar de um referendo. Juro que saí de casa sem o menor tesão pra votar. O PT matou minha confiança na democracia representativa (essa em que vivemos e na qual representantes – deputados e senadores – representam (sic) a vox populi. Preciso de um Viagra político. Some-se a isso uma overdose de José Saramago que tive dias antes do dito referendo (e ele não acredita em nosso modelo de democracia, mesmo!!!).&lt;br /&gt;Tento explicar meu desencanto. Vimos que a representação do povo (essência abstrata do que chamamos Congresso Nacional) não existe. Vimos, graças ao Roberto Jefferson, que não existem leis possíveis contra o poder do dinheiro (e Napoleão já havia dito isso há quase duzentos anos). Seja por motivos culturais que impedem o engajamento político, seja por apatia depressiva coletiva do povo, seja por traumas políticos da época da ditadura, sei lá, sabemos que não há no Brasil clima para discussão política profunda. Além do que, caso houvesse, teríamos um exemplo de anti-democracia, afinal mais da metade do povo não entenderia o que se estaria a falar. Enfim, mataram meu espírito democrático. De todos os modelos de governo que a humanidade já experimentou, a democracia – ditadura da maioria – é o que está menos apto a nos frustrar. O homo sapiens pos-moderno ocidental já carrega em si a essência do senso de igualdade, base da democracia juntamente com sua essência ontológica. Contudo, o mecanismo pelo qual essa democracia é exercida não agrada. Primeiro porque continuamos com a sensação de que as normas nos são impostas desde cima, enquanto a democracia deveria induzir um processo de discussão e criação de normas desde a sociedade, ou seja, desde baixo. Segundo, por que não nos sentimos representados. Acreditar que a discussão política dentro dos Parlamentos é feita sem propinas é acreditar em conto da carochinha. E a culpa neste ponto não é só dos políticos eleitos, mas também de uma educação ridícula que não ensina a um adolescente os mecanismos políticos de seu Pais, de seu Estado e de sua Cidade e que a sociedade não cobra. Acho que estou entrando numa fase anarquista.&lt;br /&gt;Peço desculpas pela aspereza de minha palavras nesta tarde ensolarada de domingo. Acontece que o desencanto veio com força. Agora só quero curtir o barulho do passarinho cantando em baixo de minha janela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-113009621080642587?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/113009621080642587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=113009621080642587' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113009621080642587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/113009621080642587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2005/10/vox-populi.html' title='VOX POPULI'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-112970385025776098</id><published>2005-10-19T04:35:00.000-02:00</published><updated>2006-09-12T19:55:44.603-03:00</updated><title type='text'>Agradecimento ao acaso.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Escrever é, antes de tudo, um ato de coragem. Ou de uma possível ousadia. Não sei ao certo a diferença entre esses dois adjetivos. A ousadia me parece mais indicada posto que a coragem acaba por soar carregada de uma presunção exagerada. Digo isto porque passei cerca de 3 meses distante deste lugar (como é estranho chamar de lugar algo virtual!!!) e se me perguntasse o motivo dessa ausência, talvez não pudesse responder. Não sei se estava calado por não ter o que dizer, ou por um medo, um receio da possível inutilidade de minhas palavras. Vejam só. Estou calando pelo medo da inutilidade de minhas palavras. Uma covardia que muitos insistem em chamar de pragmatismo.&lt;br /&gt;Creio ter recebido pela primeira vez em meus escritos (tão raros ultimamente) um comentário de um(a) desconhecido(a). Tentei acessar a página de minha testemunha (prefiro chamar os leitores de testemunhas) mas apareceu a já infame mensagem de erro da Internet...Contudo percebi que voltei a escrever hoje em conseqüência desse contato inesperado com alguém que nem ao menos sei se é real. É de uma estranheza mais que bizarra a solidão causada pela sensação de que não nos comunicamos, todos nós. Ao mesmo tempo a reciprocidade afaga a alma. Impulsiona. Alimenta. Obrigado desconhecido(a) por não ter cedido ao seu pragmatismo e por ter deixado uma mensagem, uma manifestação!!! Este texto é em sua homenagem.&lt;br /&gt;Lembro-me de meu primeiro texto postado na Internet. Já faz mais de um ano. Quando percebi a possibilidade de me comunicar com o mundo sem precisar invadir uma estação de TV fui acometido por um entusiasmo sem precedentes em minha, até então, breve existência. Sentei-me ao computador de madrugada (como sempre) e deixei a alma fluir. Como fosse uma primeira sessão de análise onde não se conhece o terapeuta disse pouco, receoso de minha já sabida inconsistência. Vê-se hoje um texto cheio de esperanças na busca, não por uma audiência, mas por um interlocutor, ainda que proveniente do acaso, encontrado graças a uma eventual sincronicidade metafísica inescapável. Mas já retirei o texto do blog. Não adianta procurar.&lt;br /&gt;Percebo, também, que quando começo a escrever um texto não sei como o mesmo vai terminar. Nem mesmo se vai terminar, se vai ter um fim. Acho que comecei esse aqui para agradecer a minha primeira testemunha. Depois de meses de desinteresse pela minha própria opinião volto a falar porque alguém me ouviu. E não só isso. Disse a mim que me ouviu. Isso foi o mais importante. Afinal, o mundo em que vivemos, o mundo do homo Laborans, regido pelo tempo e pelo pragmatismo, pelo remédio imediato, pela objetividade absoluta, castradora da criatividade, esse mundo nos possibilita a todos a visão completa do mundo, o tempo todo, 24 horas por dia, 7 dias por semana, mas a nossa pressa impede que nos apresentemos aos nossos interlocutores. Não dizemos: “Ei!! Eu tô te ouvindo!!!!” Não devolvemos uma interpretação da informação ao emissor. Estamos matando os diálogos e vivendo em um grande monólogo coletivo.&lt;br /&gt;Por isso resolvi escrever esse agradecimento em forma de texto. E também para tentar dizer que de nada adiantará recebermos todas as informações do mundo em nossas casas, dentro de nossos computadores se não as sentirmos, numa troca íntima de opiniões. Não deixemos a verdade existir sem que possamos palpitar um pouco nela.&lt;br /&gt;Até breve.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-112970385025776098?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/112970385025776098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=112970385025776098' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/112970385025776098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/112970385025776098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2005/10/agradecimento-ao-acaso.html' title='Agradecimento ao acaso.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-112146969623294494</id><published>2005-07-15T20:18:00.000-03:00</published><updated>2005-11-01T02:57:12.446-02:00</updated><title type='text'>Os Ricos Também Choram.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parecem estar querendo provar que rico também vai preso no Brasil!!! Esta é pelo menos a sensação que temos ao ver o auê sem tamanho causado pela decretação da prisão temporária de Eliana Tranchesi, milionária, dona da boutique (e que boutique) Daslu, sem dúvida a mais cara e luxuosa loja em território tupiniquim. A prisão ocorreu na manhã desta quarta-feira enquanto 250 (isso mesmo!!) policiais federais e agentes da Receita Federal adentravam (com gosto e classe, creio!!) a loja no bairro de Vila Olímpia, em São Paulo. Como é necessária, no mínimo, uma suspeita fundada para que alguém seja preso no Brasil (?!), a empresária e os outros detidos são suspeitos de vários crimes, entre eles formação de quadrilha (crime que embasa a decretação da prisão temporária), falsidade material e ideológica, e até crimes contra a ordem tributária e a possível sonegação fiscal sobre o lucro da empresa Daslu.&lt;br /&gt;Ocorre que um leitor estrangeiro mais desavisado provavelmente perguntaria: As pessoas estão chocadas com o absurdo que é alguém que já nada em dinheiro fraudar a Receita, não é??? Não. Quem dera assim fosse, caro amigo.&lt;br /&gt;Primeiramente, aquela patricinha cocota que se esbalda nas seções de grifes importadas dentro da Daslu, deve ter ficado assustada, obviamente com a movimentação dos agentes federais dentro da loja (que funcionou normalmente). Desconhecendo as atribuições da Policia Federal, pode ter pensado que aquelas pessoas estavam ali para prender algum pé rapado das redondezas que invadira a loja, ou mesmo para evitar o seqüestro de alguma amiga sua, conhecida numa noite qualquer de Heaven ou Lótus. Sentiu-se segura ao ver toda a movimentação. Na hora de passar pelo caixa, enquanto esticava displicentemente a mão com o American Express Platinum entre os dedos, perguntou a funcionaria o que se passava. Esta, por sua vez disse que se tratava de um problema qualquer com impostos. Nada demais!!&lt;br /&gt;Chegando em casa, nossa amiga estacionou seu Audi A3 com blindagem nível 5 na garagem e subiu para seu quarto. Ao passar em frente à mini TV da cozinha, viu a empregada boquiaberta assistindo ao Datena que fazia seu já costumeiro estardalhaço. Inocentemente, Cleusete, a empregada, perguntou a mini-patroa: “Não é nessa tal de Daslu que a patroinha vai sempre pra comprá ropa? Tão falando que a dona foi presa por contrabando!!”&lt;br /&gt;Dez horas depois, quando a orelha já parecia que ia cair de tanto nossa amiga esbravejar sua indignação de consumidora lesada ao telefone, se deitou na cama e remoeu o ódio que eternamente sentiria de dona Eliana Tranchesi por esta ter lhe vendido gato por lebre. E o pior é que as amigas dela que compraram a mesma bolsa em Paris iam rir da sua cara. “A delas deve ser original”, pensou. Umpf!!!!&lt;br /&gt;Pois se acalme cara amiga. É muito pouco provável que seus brinquedos comprados no estabelecimento de dona Eliana sejam falsificados. O contrabando, neste caso não é o de produtos paraguaios em que “la garantia soy yo!!” Não. Aqui falamos do contrabando como crime do Código Penal em seu artigo 334. A mercadoria provavelmente é verdadeira, só que não pagaram o imposto devido.&lt;br /&gt;Então, ao saber disso nossa amiga cocota pára de chorar. Ufa!! Menos Mal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-112146969623294494?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/112146969623294494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=112146969623294494' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/112146969623294494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/112146969623294494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2005/07/os-ricos-tambm-choram.html' title='Os Ricos Também Choram.'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-111196252522712015</id><published>2005-03-27T19:26:00.000-03:00</published><updated>2005-11-01T02:57:50.673-02:00</updated><title type='text'>Surfing since then....</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pessoa, luz, teclado, letras, tela, cursor, dedos, tapete, som do ônibus em baixo da janela. Partes do tudo do agora. Todas essas coisas, pedaços de sensações criadas pelos cinco sentidos. Cinco ate agora conhecidos, percebidos e já nomeados, rotulados. Informações, energia processadas pelo computador (ou a soma dos computadores) dentro da caixa craniana. Cinco sentidos estimulados pela energia. Somente energia, em varias formas, padrões e intensidades estimulando os cinco e criando a minha sensação de eu mesmo. Não! As sensações não são em si só, somadas, eu. Eu “sou” também, em parte, onde elas são processadas. Tudo somado. Rota e trafico. O caminho e a energia que por ele flui. Energia e matéria.&lt;br /&gt;Isso soa simplista demais? Pretensioso? Para alguns sim. Para outros não. Seria isto então cético demais? Desprovimento de transcendência ou abuso quase irresponsável dela. Literal viagem. Pode parecer ateísta demais. Talvez o seja. Creio que não.&lt;br /&gt;Não por que vemos, ouvimos, tateamos, saboreamos, cheiramos com o cérebro. Estímulos de sensações nas células sensoriais. Ilusão cerebral, portanto. Caso pudéssemos “ver” o fluxo de energia, conheceríamos a “realidade”. Compreenderíamos, talvez, as menores partes, os átomos, o fluxo de energia nas esferas elétricas e os elétrons girando inexoravelmente em torno de seu núcleo. Mudando sua velocidade, sua posição, sei lá, sua tendência a ser algo. Fluindo pelo universo. A ordem, a sincronicidade mantida, mas a energia fluindo, garantindo a vida, a persistência da vida. Assim, com estes olhos nos veríamos como uma conseqüência desse fluxo. Nós e nossa consciência. Nossa soma de sentidos (haja quantos houver, serão enfim energia mais ou menos “condensada”). Pode ser. Nós saberíamos enxergar que somos ainda parte do todo. Afinal, mantemo-nos inteiros, não nos diluímos no todo com nossa consciência. Mas sabemos que somos conseqüência dessa soma de tudo e mais um pouco.&lt;br /&gt;Se pudéssemos nos ver assim, compreenderíamos que matéria por onde flui energia, tem vida em alguma acepção do termo. O mundo e seus habitantes vivem por que usam dessa energia dissipada lá no começo. Pode ser no Big Bang. Essa energia que ainda flui, pelos seus caminhos sincronizados. E tendo vida, teria uma espécie de consciência também. Não necessariamente uma consciência como a nossa. Talvez ate sem a noção do “eu”. Por essa visão, nosso planeta também estaria vivo. Talvez também tivesse consciência. Consciência de si mesmo.&lt;br /&gt;Chamariam-me de evolucionista então. Já não sei mais. Acredito que nossa consciência é fruto de uma evolução sim. Dos macaquinhos sim. Das amebas também. Mas que macaquinhos e amebas também tenham suas consciências. E toda aglomeração organizada por uma estrutura de DNA também tivesse algum tipo de consciência. E ao retrocedermos ao todo. Ao instante inicial. Imediatamente anterior a Big explosão inicial, aquela soma do tudo, concentrada em um espaço do tamanho da cabeça de um alfinete, talvez tivesse a consciência do que estava prestes a fazer. Desintegraria-se no todo, sendo o todo e tendo noção do que fazia.&lt;br /&gt;Sempre que imaginamos uma visão criacionista do universo imaginamos uma religião com um Deus Onipresente, Onipotente, e Onisciente e que, alem de criar tudo fica (ao que parece) mudando as regras do jogo com os times em campo. Traços humanos atribuídos as divindades, como na mitologia. Mas se as regras estivessem estipuladas, e nada as pudesse mudar nem nada as influenciasse. A nós coubesse somente o aproveitamento dessa energia em vias de estabilizar-se. Caminhamos todos sobre essa energia. Somos surfistas do universo em cima da onda do Big Bang, da qual nos alimentamos. Podemos deitar e rolar sobre a onda apenas tendo cuidado para não nos afogarmos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-111196252522712015?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/111196252522712015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=111196252522712015' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/111196252522712015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/111196252522712015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2005/03/surfing-since-then.html' title='Surfing since then....'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-108666339038699668</id><published>2004-12-25T22:42:00.000-02:00</published><updated>2004-12-23T22:09:51.933-02:00</updated><title type='text'>O bárbaro Denys Arcand...</title><content type='html'>Tive contato pela primeira vez com a obra de Arcand relativamente por acaso. Lia a revista Veja quando vi o título de um de seus filmes, "Declínio do Império Americano". Como bom pseudo-anarquista-antiamericanista fui sugado por aquela matéria, mais pelo nome do filme do que por seu conteúdo (até então desconhecido para mim). Passei a procurar o filme de locadora em locadora mas não foi fácil encontrá-lo. Havia somente uma cópia em uma locadora (eu procurei em pelo menos 6)e como o filme é de 1986 esta já estava em péssimo estado de conservação. Mas assisti assim mesmo. Foi fantástico. Tive uma soma de sensações que iam desde fascinação pela linguagem e modo de filmagem (extremamente sutil), até um medo quase paranóico de minha ignorância. A construção dos personagens deliciosamente caricatos é fenomenal (algo raro, não acham?). Passei a indicar o filme sem maiores pretensões. Foi quando no Natal de 2003, no quarto do hotel em São Paulo, passei os olhos pelo guia de cinema que acompanhava a Folha de São Paulo daquela semana. Li a sinopse e vi que tratava-se de uma continuação daquele filme que eu vira pouco tempo antes. Corri para o Espaço Unibanco da rua Augusta.&lt;br /&gt;Se um cético pudesse usar a palavra "magia" sem medo, aquela teria sido a ocasião perfeita. A lucidez é esbanjada sem arrogância ou prepotência. Em resumo (o que deveria ser proibido para filmes como esse), o filme conta a história de Remy (agora 18 anos mais velho que no primeiro filme) que se vê com um câncer em rápido crescimento. Então, seus amigos do primeiro filme vão até Montreal encontrá-lo. O que se segue é talvez o mais lúcido e emocionante espetáculo de humanidade desde "Cinema Paradiso" (cada um à sua maneira). Personagens fantástico se cruzam em cenas cheias de recados que nos fazem perceber que nossa sociedade vive sim uma profunda crise de identidade, mas que no final das contas somos realmente humanos e racionais, ainda quando tomados pela emoção. Uma verdadeira ode à humanidade. Confesso que saí do cinema com o olho inchado e bastante desnorteado (hã? Rua Augusta?! Onde?), mas como seria bom que todos os "desnorteios" fossem como aquele. O filme nos enche de esperança ao mesmo tempo que levanta profundas questões sociológicas sobre o comportamento da sociedade moderna e seus dogmas. Prestem atenção ao diálogo do filho do Rémy com o policial dentro do carro, é emocionante.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-108666339038699668?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/108666339038699668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=108666339038699668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/108666339038699668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/108666339038699668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2004/12/o-brbaro-denys-arcand.html' title='O bárbaro Denys Arcand...'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-110396274519843698</id><published>2004-12-25T06:17:00.000-02:00</published><updated>2004-12-25T06:19:05.196-02:00</updated><title type='text'>Lembrem-se do Warhol...</title><content type='html'>            Lembram do Andy Warhol?  Se não, vocês devem ao menos se lembrar daquela imagem da Marilyn Monroe repetida varias vezes em um único quadro e com cores diferentes em cada frame…Pois é, trata-se de uma obra deste célebre artista que também imortalizou, entre outras coisas, a imagem da lata de sopa Campbell’s. Em que pese a existência de vários críticos do movimento da chamada Pop Art, é sabido que Warhol, este americano de Pittsburgh e seus contemporâneos – Liechtenstein, Wesselmann, entre outros – revolucionaram o mundo artístico da segunda metade do século XX, chocando e maravilhando um público quase sempre despreparado para o que via. Atentemo-nos, entretanto, à obra de Warhol principalmente.&lt;br /&gt;            Olhando alguma de suas obras com um olhar algo pueril, talvez não nos demos conta do subtexto contido em cada uma delas. Ao transformar uma conserva (afinal, a lata de sopa era, em principio, somente isso) em ícone da arte da segunda metade de um século, além de impulsionar as vendas da marca em direção a ionosfera, Warhol com uma deliciosa ironia questionava um fenômeno que já se fazia perceptível nos idos de 1950: a massificação de nossas subjetividades. É claro que enumerar as questões trazidas a tona por uma obra de arte é uma atitude no mínimo desprovida de sensibilidade e não e isso que queremos aqui. Uma obra de arte não faz perguntas. Faz sim com que nós as façamos. O artista – e foi esse o grande mérito de Warhol – nos induz ao questionamento. Assim foi e assim deve ser.&lt;br /&gt;            Portanto ao vermos personalidades de um determinado momento histórico transformadas em obras de arte nos deparamos com um paradoxo próprio de nosso tempo qual seja a perda do significado intrínseco daquilo que se torna consumível, independentemente da história própria do objeto, imagem, etc.... Ao mesmo tempo, vemos o fantástico poder fagocitante do sistema capitalista, capaz de ignorar toda a mensagem trazida por um ícone de outra filosofia ou ideal, simplesmente inserindo-o no sistema e  elevando-o ao status de ícone pop. Assistimos atualmente à Che Guevara vendido em pôsteres para adolescentes rebeldes, Hare Krishnas comendo no Mcdonald’s, bandeiras da antiga União Soviética vendidas em lojas de artigos vintage, Sun Tzu em aulas de administração de empresas, tudo isso em uma aparente ode a descontextualização e ao reaproveitamento cultural. Tudo perde seu significado original, sua identidade, e suas referências, perdendo conseqüentemente sua razão de existir, a não ser que exista inofensivamente. É isso que Andy Warhol tenta mostrar quando coloca nosso cotidiano em posição de arte. Nossa percepção da arte deve ser necessariamente subjetiva. A arte não pode ser obvia, ao menos que seja ironicamente obvia, numa pretensa obviedade que tem como único objetivo nos impulsionar ao desconforto e ao hediondo. Tudo tem uma história, um contexto e um ideal.&lt;br /&gt;            A capacidade dos meios de comunicação em massa de criar ou destruir mestres com legiões de fieis seguidores é também alvo da ironia de Warhol. Nosso bom senso diz que algo a ser idolatrado é algo que concentra em si todas as virtudes que um grupo de pessoas enxerga como virtudes. E para enxergá-las é preciso um processo paulatino de avaliação, assim como um pintor que diariamente pinta pouco a pouco seu quadro, avaliando-o e medindo sua próxima pincelada. Ídolos não são tão disponíveis quanto latas de sopa!!!&lt;br /&gt;            Entretanto, seria isso necessariamente algo mal? Ou teríamos encontrado definitivamente o sistema capaz de colocar todas as idéias dentro de um mesmo barco sem necessariamente fazer com que todas batam de frente (economizando assim muitas e muitas vidas). Só o tempo (ou um próximo ensaio) nos dirá se a perda da identidade não é necessariamente a única e ultima saída para a humanidade...como viu Warhol.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-110396274519843698?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/110396274519843698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=110396274519843698' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/110396274519843698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/110396274519843698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2004/12/lembrem-se-do-warhol.html' title='Lembrem-se do Warhol...'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-110384525144699744</id><published>2004-12-23T21:06:00.000-02:00</published><updated>2004-12-23T21:40:51.446-02:00</updated><title type='text'>Fluxo</title><content type='html'>            Não raro, me pego no meio de algumas análises recorrentes em minha cabeça. Ainda que pareça um pouco inútil e fora de moda, vejo-me muitas vezes pensando sobre um assunto: o fracasso do socialismo, ao menos como experimentado até agora pela humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Não procuro fazer uma análise pragmática de tal fracasso. Este tema já foi por diversas vezes objeto das mais variadas analises dentro de um enfoque da estrutura do estado. Hoje vemos o antigo estado socialista soviético como um grande show de horrores – repressão, uma máquina estatal gigantesca, liberdades anuladas pelo medo da traição(ops!!!), isolamento com o resto do mundo, são algumas dos vários diagnósticos que fazemos do que se passava atrás da antiga cortina de ferro. Entretanto estes são conceitos que analisam o estado e sua estrutura, e não sua fundamentação doutrinaria ou filosófica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Devemos também atentar para o fato de que a União soviética não era um estado marxista, mas socialista, tendo utilizado a doutrina de Marx para fundamentar sua revolta bolchevique. Contudo, atentemo-nos para a doutrina marxista mais especificamente.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Tive, durante um ano na faculdade de direito, aulas com um ilustre professor que costumava dizer que o socialismo sempre esteve fadado ao desaparecimento por tentar negar o direito de propriedade, o qual seria inerente a natureza humana e, portanto, inevitável. Confesso que nunca fui adepto de teorias ou idéias que atribuíssem a uma natureza humana causas ou escolhas quanto a métodos sociais. Para mim soava bastante arrogante a preposição de que o capitalismo, ou ao menos a propriedade privada fossem inatos, por ser a apropriação de algo “útil” e “valorável” uma condição da natureza humana. Portanto, sempre defendi que qualquer empecilho para uma eventual sociedade sem propriedade privada seria apenas uma questão de momento histórico, uma questão de tempo e de evolução da humanidade rumando para um estágio diferente, no qual a dinâmica das forcas do capitalismo perderia sua coesão – pelos mais diversos motivos. A apropriação infinita de recursos leva inexoravelmente a um esgotamento do sistema em analise, o que induz e ao mesmo tempo obriga a um contingenciamento no uso da propriedade privada, ou então causa o caos total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Entretanto, algo me ocorreu nos últimos meses. Deparei-me com uma palavra muito usada nos dias atuais: fluxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Vivemos hoje em uma sociedade em que tudo flui: de alimentos a energia. De informação a contas bancárias. O mundo encontra sua razão de ser no estagio atual na essência do fluxo contínuo. Mas, seria essa uma invenção da modernidade? Estaríamos todos inseridos em um sistema tão caótico em que o fluxo mais e mais rápido passou a ser a única maneira de balancearmos a nossa instabilidade? Ou, como me começa a aparecer, apenas experimentamos hoje em dia um fluxo maior de tudo aquilo que sempre foi “fluente”, só que numa proporção exponencialmente maior, como uma decorrência natural da nossa evolução tecnológica, mas que em nenhum momento induziu movimento à  coisas naturalmente estáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A essência da vida e o movimento. Todo ser vivo precisa de movimento, de fluxo dentro de si para estar vivo. A seiva das árvores e plantas flui através de suas veias levando o necessário para a vida (ozônio da fotossíntese); um cérebro funciona pelo fluxo de energia de um neurônio para outro, criando assim uma imagem fantástica do que poderíamos chamar de fluxo de pensamento; o sangue corre pelas nossas veias. Mesmo externamente, entendemos como vivo e relevante aquele corpo que se movimenta. Mesmo para o surgimento da vida o fluxo é algo imprescindível para que haja a fecundação. A vida é um processo de fluxo continuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Acho que consegui, desta forma, compreender um subtexto nas idéias de meu professor. Para que algo possa fluir e preciso que, ainda que por uma fração de segundo, outro ser o direcione ou mesmo o impulsione. Naquele instante em que uma coisa impulsiona outra, ou somente direciona seu caminho, torna-se efêmeramente seu dono. Podemos assim dizer que um coração e suas veias são donos daquele sangue enquanto este existir. Mas o coração e as veias sabem que se não bombearem ou não direcionarem o sangue corretamente, também sofrerão as conseqüências. Morrendo o todo, morre a parte. Todo fluxo necessita impulsão e direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Entendo, pois, que o que nos é inevitável é o movimento, do qual todos somos causa e conseqüência. O erro do socialismo não está primordialmente na negação da propriedade privada, mas na tentativa de impedir o fluxo pela mãos dos cidadaos. Quando os fenícios inventaram o dinheiro, não objetivavam nada mais do que incrementar o fluxo (de mercadorias, etc...) dinamizando-o. Podemos imaginar que a mente humana não tem uma necessidade de apropriação como um fim em si - uma vez que a apropriação seria o espelho da não apropriação-, mas um desejo por dar destino ou direcionamento a algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Sabe-se que o que faz uma economia ser grande e poderosa não é o seu numero de milionários, mas sim o giro, o fluxo de capital passando de mão em mão dentro deste sistema. Talvez seja muita pretensão minha unir natureza humana e sistemas econômicos, mas, de verdade, não seria essa uma boa teoria?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-110384525144699744?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/110384525144699744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=110384525144699744' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/110384525144699744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/110384525144699744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2004/12/fluxo.html' title='Fluxo'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-110369009471733978</id><published>2004-12-22T02:33:00.000-02:00</published><updated>2004-12-22T02:35:16.226-02:00</updated><title type='text'>Sonho acordado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Já faz mais de seis meses que não escrevo para este blog. A empolgação do começo foi derrotada pela falta de acesso dos internautas. Muitas vezes nos julgamos auto-suficientes a ponto de dizermos que não escrevemos para que pessoas leiam. Que nada. Dependemos do aval dos outros, e talvez uma das grandes lições que a vida pode nos ensinar é justamente a de sermos suficientes para nós mesmos. Não sei. Só sei que quando escrevi pela primeira vez para este blog tinha a esperança de poder compartilhar idéias e pensamentos com pessoas que buscassem por algo semelhante. Em vão. Seis meses depois e meu blog não teve um único acesso. Mas não adianta chorar o leite derramado. Dizem que a propaganda é a alma do negócio, não é? Pois minha maldita timidez me impede de fazer propaganda. Pelo menos eu não fiquei vindo ver se alguém tinha entrado no meu blog. Deixei-o de lado quando vi que não teria jeito. E assim foi.&lt;br /&gt;Seis meses. Como passou rápido. Como as coisas mudam em seis meses!!! Como a gente muda em seis meses!!! Pois seis meses atrás eu achava que tinha encontrado meu grande amor; me achava um grande escritor em potencial e cria piamente que o São Paulo ia ganhar o campeonato brasileiro. Ledo engano. Eu até esqueci como eu fazia para acessar este blog. Graças ao acaso (para aqueles que no acaso acreditam) encontrei um papel com as instruções de como acessar o weblogger. Nem ao menos me lembrava de que o havia escrito.&lt;br /&gt;Mas como eu ia dizendo, é impressionante como nos iludimos com nós mesmos (ou será que isso é um traço gravíssimo de uma perceptível imaturidade minha?!?!?!?). O maior termômetro de como mudamos são os nossos planos. Pois vivemos fazendo planos para quando o amanhã chegue. Nos entupimos de suspiros e ideais que evaporam na menor contradição. Vemos então que não fazíamos planos, apenas sonhávamos. Sonhávamos com um (im)possível amanhã que deveria ser do jeitinho que planejávamos e que diante da menos adversidade ou contradição esvaiu-se no ar. Mas quem consegue não fazer planos (ou sonhar)? Aquele sonho que sonhamos antes de dormir. Quando colocamos a cabeça sobre o travesseiro e por alguns instantes nos deixamos levar por aquele impossível que se escancara diante de nossos olhos ainda entreabertos que olham para um nada muito além daquela parede branca que se ergue diante de nós e que tem como função primordial ser apenas a sustentação de um dos lados do dormitório. E este sonho que sonhamos com um esboço de sorriso nos lábios, ainda que nosso senso comum (aquele tão criticado por uns e louvado por outros) nos diga: Pare de rir o idiota!!!!! Neste momento somos idiotas conscientes de uma idiotice que nos alegra a alma e nos embala mesmo quando nossos olhos retomam sua expressão natural de vigília, e nós, já conscientes que tudo não passava de um caso recorrente do chamado “sonho acordado”, nos viramos para o lado e com o último fio daquele riso, fechamos os olhos e dormimos o sono real que devemos dormir.&lt;br /&gt;Somos eternos sonhadores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-110369009471733978?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/110369009471733978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=110369009471733978' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/110369009471733978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/110369009471733978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2004/12/sonho-acordado.html' title='Sonho acordado'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7237907.post-108666505449268714</id><published>2004-06-08T00:23:00.000-03:00</published><updated>2004-06-08T00:24:14.493-03:00</updated><title type='text'>Uma idéia</title><content type='html'>  "Bad guys do what good guys dream..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Pois é. Esse é o nome do livro de um psiquiatra forense americano chamado Robert I. Simon. O título, ao menos, já diz muita coisa, não?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7237907-108666505449268714?l=opinioeseargumentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/feeds/108666505449268714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7237907&amp;postID=108666505449268714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/108666505449268714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7237907/posts/default/108666505449268714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opinioeseargumentos.blogspot.com/2004/06/uma-idia.html' title='Uma idéia'/><author><name>Thiago Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10955149807735927279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
